ClimaInfo , 23 de novembro de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

CONCENTRAÇÃO DE CO2 NA ATMOSFERA É A MAIS ALTA EM 3 MILHÕES DE ANOS

O boletim da Organização Meteorológica Mundial (WMO, em inglês) diz que a concentração média global de CO2 na atmosfera chegou a 405,5 ppm. As concentrações de metano e óxido nitroso também subiram. A pior notícia foi o reaparecimento de CFC-11 que destrói a camada de ozônio, um poderoso gás de efeito estufa e que tinha sumido pelos esforços dos países em cumprir com o Protocolo de Montreal. Suspeita-se que essa família de gases vêm sendo usado, sem controle, na China. O boletim ainda chama a atenção para o aumento do “forçamento radiativo” que é o indicador da influência do aquecimento da atmosfera no clima. De 1990 para cá, esse forçamento aumentou 41%. Petteri Taalas, secretário-geral da WMO, disse que “a última vez que a Terra viu uma concentração de CO2 parecida, foi entre 3 e 5 milhões de anos atrás, quando a temperatura era 2 a 3oC mais alta e o nível do mar era 10 a 20 metros mais elevado do que hoje.”

https://public.wmo.int/en/media/press-release/greenhouse-gas-levels-atmosphere-reach-new-record

https://www.theguardian.com/environment/2018/nov/22/climate-heating-greenhouse-gases-at-record-levels-says-un

 

A CIÊNCIA ADVERTE QUE DESMATAR A AMAZÔNIA FAZ MUITO MAL AO AGRONEGÓCIO

A bancada ruralista apoia em massa toda e qualquer legislação que ajude a desmatar mais a Amazônia e o Cerrado. Um trabalho que acaba de ser publicado na Nature mostra como e porque o desmatamento prejudica o próprio agronegócio. Conversando com os pesquisadores, Daniela Chiaretti escreve que “o estudo mapeou o valor de serviços ecossistêmicos da floresta na produção de alimentos (castanha do Brasil), no fornecimento de matérias-primas (borracha e madeira), na mitigação de gases-estufa (absorção e estoque de carbono) e na
regulação do clima (avaliando as perdas para soja, pecuária e geração de hidroeletricidade se o volume de chuvas diminuir).” Os números mostrados são sérios. Segundo o professor Britaldo Soares, da UFMG e um dos autores, se as terras não designadas fossem desmatadas, só no estado do Mato Grosso os prejuízos seriam da ordem de R$ 1,3 bilhões por ano. A estimativa é que a floresta Amazônica em pé gere um valor de mais de R$ 30 bilhões todo ano. Existem, hoje, mais de 60 milhões de hectares de terras não designadas, que são terras públicas sem destinação pelo Poder Público e que não são, nem nunca foram, parte de uma propriedade privada. Para Soares, “designar estas áreas significa protegê-las. Poderiam tornar-se florestas de produção, com uso sustentável e sem precisar derrubá-las. Quando se faz a
designação destas áreas, assegura-se que elas se tornem um bem comum em vez de deixá-las para a especulação e a grilagem.”

https://www.nature.com/articles/s41893-018-0175-0

https://www.valor.com.br/brasil/5993625/desmate-na-amazonia-e-nocivo-agropecuaria-indica-estudo

 

AS RENOVÁVEIS SE ESPALHANDO PELA AMÉRICA LATINA E A DINÂMICA DA REVOLUÇÃO ENERGÉTICA NO CHILE

A América Latina, como quase no mundo todo, está vendo as renováveis crescerem e ocuparem um espaço cada vez maior nas matrizes elétricas. Na região, a capacidade instalada de eólicas e fotovoltaicas está crescendo a uma taxa de 8% ao ano e, nos últimos 3 anos, viu ser investido mais de US$ 54 bilhões. O Uruguai faz parte do seleto grupo de países em que toda a geração é renovável. A Costa Rica está indo pelo mesmo caminho. O país onde as renováveis mais crescem é o Chile, que está aproveitando um dos lugares mais ensolarados do mundo: o deserto do Atacama. A meta é chegar em 2050 com 94% da geração renovável. Por sua vez, o México quer chegar em 2050 com 50% de renováveis na matriz elétrica, principalmente a eólica que deve, em 2020, gerar a energia mais barata do mundo. “A região está seguindo um caminho muito interessante. Não só na energia eólica e solar, mas também na energia geotérmica, que quase nunca entra na agenda da mídia, mas tem um grande potencial em todos os países do Cinturão de Fogo: do Chile a El Salvador”, disse Alfonso Blanco, secretário-executivo da Organização Latino-Americana de Energía (Olade). Olhar para o mapas de eólicas e fotovoltaicas na região quase que pede para pensarmos se não daria para interligar todos os países numa única rede. A vantagem, olhando de Fernando de Noronha até Tijuana, no noroeste do México, é ter quase 14 horas de sol o ano todo e ventos complementares na Patagônia argentina, no litoral nordeste do Brasil, no litoral da Venezuela e da Colômbia, e no sul do México. Um sistema integrado pode vir a dar conta da intermitência que essas fontes apresentam quando tomadas isoladamente.

Por falar no Chile, um trabalho no Policy Studies Journal mostra a importância das alianças entre movimentos sociais e organizações ambientais para que as fontes renováveis deslanchassem nos últimos anos.  Há vinte anos atrás, o Chile tinha um setor elétrico tradicional, centrado em fontes convencionais de geração e um modelo de negócio igualmente convencional. Durante algum tempo, parte do movimento ambiental centrou suas atenções nas térmicas fósseis, conseguindo, junto com associações de moradores locais, barrar um dos projetos da MPX, a empresa de eletricidade de Eike Batista. Outro movimento importante foi a proibição de novas hidrelétricas na Patagônia, pelo estrago que fariam ao meio ambiente. As pressões políticas no Congresso se intensificaram a ponto do governo propor o plano Energia 2050 com a colaboração ativa dessas coalizões. O trabalho chama a atenção para a natureza “contingente” dessas coalizões. Elas foram se formando em torno de pautas definidas e que, uma vez alcançados os objetivos, se desfaziam. Grupos que tinham atuado juntos numa questão, poderiam se ver em campos opostos em outra. O trabalho é muito interessante para entender as dinâmicas que foram sendo desenvolvidas e, claro, a revolução energética que lograram.

As eólicas no Nordeste bateram outro recorde. No domingo passado, o pico de geração chegou a quase 9 GW e um fator de capacidade de 86%. Esse fator mede o quanto um sistema poderia gerar a pleno vapor e o quanto gerou de fato. Neste ano, o fator médio das eólicas nacionais está em torno de 40%. No momento do pico, a geração foi maior do que a demanda e o Nordeste exportou energia para o resto do país.

https://brasil.elpais.com/brasil/2018/11/15/economia/1542293699_535260.html

https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/psj.12298

https://www.canalenergia.com.br/noticias/53081660/eolicas-quebram-novo-recorde-de-geracao-no-nordeste

 

TEMER QUER LANÇAR EDITAIS BILIONÁRIOS ANTES DE IR EMBORA

O presidente atual pretende abrir uma lista de editais de ferrovias e aeroportos antes de fechar a pasta e ir embora. O que ele ganha com isso pode interessar às autoridades competentes. O país perde tempo e esforço se o futuro governo decidir cancelar os editais e perde se ele decidir ir em frente e abrir mão de um projeto coerente de infraestrutura. O fundamento dos editais é o Programa de Parceria em Investimentos, um conjunto de iniciativas que não se conversam e que priorizam o muitas vezes desnecessário. Desde que foi lançado, havia suspeitas de que ele, no fundo, foi feito para resgatar as empreiteiras atropeladas pela Lava Jato. Parece que Temer quer aquinhoá-las até o último dia.

https://www.valor.com.br/brasil/5993621/temer-quer-lancar-editais-na-area-de-transporte-um-mes-de-deixar-cargo

 

UM DECRETO COM OBRIGAÇÕES VOLUNTÁRIAS PARA EMPRESAS SEREM SUSTENTÁVEIS

O presidente em exercício, Rodrigo Maia, assinou o decreto 9.571 de 21/11/2018 que “estabelece as Diretrizes Nacionais sobre Empresas e Direitos Humanos”. Logo no começo, o aviso de que “as Diretrizes serão implementadas voluntariamente pelas empresas.”

Dos vários pontos interessantes, cabe destacar o Art. 12., que diz que “compete às empresas adotar iniciativas para a sustentabilidade ambiental”, seguido de uma lista de 12 pontos. O 7º deles diz que as empresas devem “adotar medidas para conferir mais eficiência às operações, a fim de reduzir emissões de gases de efeito estufa, de modo a contribuir com o combate às mudanças climáticas; e o seguinte diz que devem “priorizar fontes de energia limpa e controlar e reduzir o consumo de energia elétrica”.

Não fosse o caráter voluntário, o decreto seria um avanço quase que inédito no mundo. Sendo voluntário, não vale o espaço que o arquivo ocupa na nuvem.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/decreto/D9571.htm

 

VEM AÍ UM EL NIÑO MAIS FRACO COM IMPACTOS SÉRIOS

A meteorologia informa que vem aí um El Niño chamado de Modoki que é quando ocorre um aumento irregular nas temperaturas das águas do Pacífico. Ele é, no geral, mais fraco do que os canônicos, quando o aumento é mais uniforme. A previsão é que chova mais do que o normal no Sudeste e de igual para menos, no Sul e no Nordeste. As chuvas desta primavera ainda não são as do El Niño, mesmo porque as temperaturas estão baixas para o período nos Sul, Sudeste e Centro-Oeste. O El Niño, quando chegar, fará a temperatura subir. E os modelos climáticos indicam que a condição El Niño continuará o ano que vem inteiro. Se o Nordeste talvez tenha menos chuva e, portanto, menos água em açudes e reservatórios, haverá um aumento na velocidade dos ventos. O que é bom para a geração eólica.

http://www.letrasambientais.com.br/posts/o-el-nino-afetara-o-clima-em-2019-

 

10 PAÍSES QUEREM ZERAR AS EMISSÕES LÍQUIDAS DA EUROPA

Os ministros de energia e os de meio-ambiente da Dinamarca, Eslovênia, Espanha , Finlândia, França, Holanda, Itália, Luxemburgo, Portugal e Suécia mandaram uma carta para Miguel Arias Cañete, o Comissário Europeu da Ação para o Clima e Energia, exigindo apontar claramente na direção de emissões líquidas zero. Cañete tem a lição de casa de apresentar a estratégia que a União Europeia precisa adotar para cumprir as metas de Paris. Mais, até o final do mês, a executiva europeia tem que publicar sua visão para 2050 com oito caminhos diferentes que mantenham a economia do bloco alinhado com uma trajetória compatível com Paris. Os países terão, então, que escolher que caminho querem tomar. A carta-conjunta pede um aumento imediato de ambição e coloca como meta clara, zerar as emissões líquidas, ou seja, remover da atmosfera tudo que for emitido.

https://www.euractiv.com/section/climate-environment/news/10-countries-demand-net-zero-emission-goal-in-new-eu-climate-strategy

 

DAVID ATTENBOROUGH ESTARÁ NA COP E DIRÁ QUE O CLIMA É A MAIOR AMEAÇA DOS ÚLTIMOS MILHARES DE ANOS

Sir David Attenborough, naturalista e famoso pelos documentários sobre a natureza no planeta Terra, estará presente à Conferência do Clima que começa no próximo dia 2. Sir David diz que a mudança do clima é “a maior ameaça a esse planeta em milhares de anos”. Ele estará na abertura da Conferência na “cadeira do povo” (people’s seat) e dirá que as mudanças estão acontecendo e vários povos já estão sofrendo as consequências. Assim, os políticos têm a responsabilidade perante a humanidade de fazer avançar a agenda. A “cadeira” permanecerá durante o evento todo para não deixar ninguém esquecer essa responsabilidade.

https://www.bbc.com/news/av/science-environment-46296329/david-attenborough-climate-biggest-threat-in-thousands-of-years

https://www.bbc.com/news/science-environment-46266348

 

AQUECIMENTO GLOBAL OBRIGA AVIÕES A USAREM MAIS PISTA PARA DECOLAR

Ar mais quente é menos denso e, durante uma decolagem, aviões tem mais dificuldade em decolar e ganhar altitude. Na prática, isto quer dizer que precisarão de mais pista para levantar vôo. E demorarão  mais para atingir a altitude de cruzeiro. As duas condições farão os aviões gastar mais combustível. Se continuarem queimando gasolina ou querosene de aviação, isso significa mais emissões, mais aquecimento global e mais pista.

https://link.springer.com/article/10.1007/s10584-018-2335-7

 

Para ouvir

COMO O AGRONEGÓCIO ESTÁ DESTRUINDO O CERRADO

O Greenpeace anunciou o 5º episódio da série “As Árvores Somos Nozes” tratando das consequências da expansão agronegócio sobre o Cerrado. A voz é de Fátima Barros, uma líder quilombola que resiste com sua família na região do Matopiba. Ela conta sua emocionante história de vida e luta na região e o que está fazendo para continuar defendendo a terra onde vive. O bate-papo também tem a presença de Adriana Charoux, da campanha da Amazônia do Greenpeace, que traz alguns dos dados mais relevantes do nosso relatório.

https://www.greenpeace.org/brasil/podcast/as-arvores-somos-nozes-05-como-o-agronegocio-esta-destruindo-o-cerrado/

 

Para enviar trabalhos e concorrer

PRÊMIO MAPBIOMAS

Para estimular e ampliar mais aplicações e trabalhos com análises de mudanças de uso da terra no território brasileiro, a iniciativa resolveu lançar o Prêmio MapBiomas, em parceria com o Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) e o Instituto Escolhas, com apoio do Instituto Clima e Sociedade (ICS).

Nesta primeira premiação, o MapBiomas irá premiar trabalhos que explorem as relações entre a infraestrutura de energia e transporte e as mudanças de cobertura e uso da terra no Brasil.

Prazo de entrega até 31/janeiro.

Mais informações sobre a premiação e como participar em:

http://www.mapbiomas.org/premio

 

Para concorrer a bolsas

BOLSA PULITZER PARA JORNALISTAS

O Pulitzer Center convida jornalistas que estejam trabalhando em reportagens relacionadas a florestas tropicais para participar de um processo de seleção para dois tipos de bolsas:

– Bolsas para jornalistas produzindo reportagens sobre florestas tropicais em qualquer parte do mundo, em inglês, para grandes veículos de mídia nos EUA e na Europa.

– Bolsas para jornalistas localizados em países da região amazônica, produzindo reportagens para a mídia local ou regional. A língua pode ser inglês, português ou espanhol.

https://pulitzercenter.org/rainforest-journalism-fund-call-for-proposals-portuguese

 

Para ir

COMO REALIZAR BONS NEGÓCIOS E AINDA AJUDAR A PRESERVAR NOSSO PLANETA?

A Dow Chemical e a TNC convidam para uma discussão sobre como as empresas podem se beneficiar da adoção de práticas sustentáveis, incorporando o valor da natureza nas suas operações. Com a presença de Neil Hawkins, da Dow, e Glenn Prickett, da TNC.

Dia 27 de novembro, a partir das 13h30, na Dow Brasil, Av. das Nações Unidas, 14.171 (Marginal Pinheiros), Diamond Tower, São Paulo, SP.
Mais detalhes e inscrições no link.

https://www.sympla.com.br/neil-hawkins–glenn-prickett__388048

 

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