ONU: metas nacionais para o Acordo de Paris são insuficientes para conter aquecimento

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As contribuições nacionalmente determinadas (NDCs) dos 191 países para o Acordo de Paris, caso sejam implementadas, resultarão em um aumento de 16% das emissões globais de gases de efeito estufa (GEE), na contramão do caminho apontado pela ciência para conter as mudanças climáticas neste século. Se os países não fizerem cortes mais ambiciosos em suas emissões, a temperatura média do planeta pode subir pelo menos 2,7°C até o final do século, bem acima dos 2°C estabelecidos pelo Acordo.

As conclusões são do secretariado da Convenção-Quadro da ONU sobre Mudança do Clima (UNFCCC), que lançou na 6ª feira uma análise dos compromissos nacionais atuais sob o Acordo de Paris, incluindo NDCs atualizadas ou novas apresentadas por 113 países.

Além de analisar a ambição agregada das NDCs, o relatório também destacou a dependência dos países em desenvolvimento do financiamento internacional para tirar do papel seus compromissos climáticos nacionais. Se todas as promessas de ação climática, inclusive aquelas condicionadas à disponibilidade de recursos internacionais, forem cumpridas pelos países, o relatório estima que possivelmente as emissões globais poderão atingir seu pico até 2030, para depois caírem continuamente.

Por outro lado, considerando as NDCs atualizadas ou novas, o cenário é ligeiramente mais ambicioso. Para esse grupo, o cumprimento integral de suas NDCs garantiria uma redução de 12% nas emissões de GEE em relação a 2010. Dos 113 países com compromissos revistos, 70 indicaram metas de neutralidade de carbono em meados do século. De acordo com o relatório, essas metas poderão levar a reduções ainda maiores de emissões, estimadas em cerca de 26% até 2030 em relação a 2010.

A análise da UNFCCC sobre a ambição das NDCs atuais teve amplo destaque na imprensa internacional, com reportagens em veículos como AFP, Associated Press, BBC, Bloomberg, Financial Times, NY Times, Reuters, Wall Street Journal e Washington Post.

 

ClimaInfo, 20 de setembro de 2021.

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