Maioria da população do G20 apoia taxar superricos para financiamento climático

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Pepi Stojanovski / Unsplash

Apoio a imposto sobre bilionários é mais elevado na Indonésia, Turquia, Reino Unido e Índia e mais baixo na Arábia Saudita e Argentina, mostra pesquisa.

A maioria (68%) da população dos 17 países do G20, grupo das maiores economias do mundo, apoia taxação sobre superricos a fim de financiar grandes mudanças na economia e no estilo de vida. Esse é o resultado de uma pesquisa realizada pela Ipsos, com a Earth4All e Global Commons Alliance, há um mês da reunião do G20 no Brasil.

A pesquisa foi feita com 22 mil pessoas, que representam as populações nacionais em termos de idade, gênero, região e situação profissional. E destaca que 70% dos entrevistados apoiam impostos mais elevados sobre os mais ricos, enquanto 69% são a favor de taxas maiores para as grandes empresas, explica o phys.org.

O apoio é maior na Indonésia (86%), na Turquia (78%), no Reino Unido (77%) e na Índia (74%), e mais baixo na Arábia Saudita (54%) e na Argentina (54%), mas ainda assim com mais da metade favorável. Nos Estados Unidos, França e Alemanha, cerca de dois em cada três entrevistados apoiam um imposto sobre a riqueza das pessoas ricas (67%, 67% e 68%, respectivamente).

“A mensagem para os políticos não poderia ser mais clara. A grande maioria das pessoas nas maiores economias do mundo acredita que são necessárias grandes ações imediatas nesta década para se enfrentar as mudanças climáticas e proteger a natureza”, declarou Owen Gaffney, colíder da Earth4All.

O documento destaca que “existe um mandato claro para uma governança responsável e políticas que garantam uma transformação justa e sustentável” e que “as políticas climáticas não podem ser vistas isoladamente”, ressalta a Ansa. O relatório também foi destaque no Deccan Herald.

A pesquisa mostra um crescente consenso internacional em favor da tributação progressiva. Uma proposta que está em discussão pelo menos desde 2013 e tem recebido apoio crescente ao longo dos anos, aponta o Economic Times.

Os ares de taxar bilionários também parecem, enfim, chegar aos Estados Unidos. Com os cortes tributários promovidos pelo ex-presidente Donald Trump expirando em 2025, democratas se organizam para reescrever o código fiscal. Entre as mudanças estão planos para aumentar os impostos sobre empresas e indivíduos ricos.

A ação, patrocinada pelo governo Biden, tem apoio de milionários, relata a Fortune, como a bilionária e filantropa Melinda French Gates e Michael Bloomberg. “O apoio de milionários norte-americanos ao esforço de Joe Biden sinaliza que o plano do presidente de impor impostos maiores sobre a riqueza extrema agrada à classe média alta do país”, afirma o Financial Times.

Em tempo: Madagascar será o primeiro país beneficiado pelo programa conjunto entre o FMI e o Banco Mundial para estimular a ação pelo clima, por meio de um empréstimo de US$ 321 milhões, informa O Globo. O programa de colaboração, que propõe um trabalho mais estreito entre as instituições multilaterais, foi anunciado em maio para ajudar os países a intensificarem seus esforços frente à crise climática.

 

ClimaInfo, 25 de junho de 2024.

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