
Em levantamento divulgado nesta 3ª feira (2/6), a Organização Meteorológica Mundial (OMM) atualizou 80% a probabilidade de formação do El Niño entre junho e agosto, com 90% de chance de que ele dure pelo menos até novembro, informa a Reuters. Por isso, a ONU alertou que o mundo precisa se preparar para o regresso iminente do fenômeno – que ainda pode atingir a categoria “forte” ou “muito forte” – e a intensificação dos eventos extremos decorrentes de sua combinação com as mudanças climáticas.
Dois fatores tornam a previsão deste ano particularmente preocupante. Um deles é a possibilidade crescente de um El Niño de intensidade moderada para forte. A isso, soma-se o atual ponto do aquecimento global – a temperatura média do planeta já está 1,3°C acima dos níveis pré-industriais.
Essa base mais alta intensifica os impactos do fenômeno. Assim, aumenta o risco de ondas de calor mais duradouras e com picos de temperatura mais altos, secas mais intensas, chuvas extremas, incêndios florestais e quebra de safra, detalham RTP Notícias e Folha.
A secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, afirma que “comunidades que já estavam em dificuldades serão levadas ainda mais além de seus limites”, destaca a Reuters. Segundo o centro de estudos britânico Energy and Climate Intelligence Unit, as previsões são péssimas para as cadeias de abastecimento de alimentos, pressionadas não apenas pelas mudanças climáticas, mas por tensões geopolíticas – como os ataques de Estados Unidos e Israel ao Irã e ao Líbano.
O El Niño causa episódios de chuvas intensas em partes da América do Sul, sul dos Estados Unidos e Ásia Central. Já a América Central, norte da América do Sul, Austrália, Indonésia e partes do sul da Ásia sofrem com períodos prolongados de seca. As alterações climáticas também atingem a formação de furacões, alimentando os fenômenos no centro e leste do Oceano Pacífico e reduzindo sua incidência na bacia do Atlântico, explicam Guardian e g1.
António Guterres, secretário-geral da ONU, ressalta que o mundo deve tratar o El Niño 2026 com a urgência climática que ele é. “A única resposta eficaz é uma ação climática à altura da crise: pôr fim à dependência dos combustíveis fósseis, acelerar a transição para as energias renováveis, proteger os mais vulneráveis e garantir sistemas de alerta precoce para todos”, afirmou.
Euronews, Revista Fórum, Metrópoles também reportaram o novo comunicado da ONU.
Em tempo: França e Noruega registraram a maior temperatura média para a primavera do Hemisfério Norte, que vai de março a junho, segundo relatório da Météo France. Na França, a série histórica começou em 1900; na Noruega, em 1901. O país escandinavo escapou da onda de calor que afetou a Europa Ocidental em maio e “torrou” o território francês, mas, ainda assim, as temperaturas ficaram 2,1°C acima da média para a estação. A Folha traz mais detalhes.



