
Os 335 milhões de hectares atingidos por incêndios florestais em todo o mundo no ano passado – equivalente a quase 40% do território brasileiro – representaram a segunda menor área atingida por chamas desde 2002. Apesar disso, 2025 foi o ano com os maiores prejuízos econômicos já registrados em relação ao fogo.
É o que mostra um estudo publicado na Nature Reviews Earth and Environment. Segundo a pesquisa, as chamas em Los Angeles, na Califórnia, e em outros países, incluindo Coreia do Sul e Espanha, mataram 90 pessoas e provocaram a evacuação de mais de 300.000. Além disso, provocaram perdas globais de pelo menos US$ 54 bilhões (R$ 271 bilhões) – o maior nível de perdas seguradas já registrado, informam New York Times e O Globo.
O estudo constatou que os incêndios representaram mais de 38% dos prejuízos segurados decorrentes de desastres climáticos em 2025, explica o Guardian. No entanto, o valor apontado na pesquisa não inclui todas as perdas indiretas, como dias de trabalho perdidos, fechamento de empresas e aumento da pressão sobre os sistemas de saúde. Ou seja, é uma estimativa conservadora, já que as seguradoras geralmente não compartilham dados confidenciais, e os danos podem ser difíceis de avaliar em alguns países.
Quando as estimativas de perdas indiretas são consideradas, os incêndios que atingiram a região de Los Angeles, por si só, acrescentariam pelo menos US$ 100 bilhões (R$ 503 bilhões) ao total, ressalta o estudo.
Com as mudanças no uso da terra, os incêndios florestais queimam uma área menor do que antes. No entanto, o aquecimento global está criando condições que permitem sua propagação, aumentando o perigo no que os pesquisadores chamam de interface urbano-florestal, onde as pessoas correm maior risco.
Assim, condições climáticas adversas, agravadas pelas emissões de gases de efeito estufa, transformaram alguns dos incêndios do ano passado em verdadeiros infernos explosivos. No sul da Califórnia e na Coreia do Sul, ventos fortes e vegetação seca impulsionaram as chamas em áreas densamente povoadas, causando “mortalidade excepcional, evacuações em massa e grandes perdas de infraestrutura”, destaca a pesquisa. No Mediterrâneo, por sua vez, a seca e o calor extremo provocaram incêndios severos de Portugal à Turquia.
“Os dados de 2025 mostram que um ano com poucos incêndios em escala global ainda pode ser devastador”, ressalta Matthew Jones, cientista climático da Universidade de East Anglia e principal autor do estudo. “Estamos vendo uma crescente desconexão entre a área total queimada e os impactos reais.”
Down to Earth e Business Green também repercutiram o estudo.



