
O Observatório da BR-319 divulgou um novo estudo que sintetiza os dados referentes ao desmatamento e às queimadas na área de influência da rodovia BR-319, que liga Manaus (AM) a Porto Velho (RO), entre 2010 e 2024. Os resultados apresentam um cenário misto: por um lado, a taxa de desmatamento caiu nos últimos dois anos; por outro, a ocorrência de fogo aumentou nesse mesmo período, facilitada pela forte seca que atingiu a Amazônia no ano passado.
A análise sistematiza dados em 13 municípios dos estados de Amazonas e Rondônia, que abrangem 42 Unidades de Conservação e 69 Terras Indígenas, compilados e analisados pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (IDESAM).
“A escolha desse período visa evidenciar, com mais clareza e profundidade, as oscilações significativas do cenário na Amazônia Legal – especialmente na região do Interflúvio Madeira-Purus -, marcada por momentos de redução e aumento, refletindo as dinâmicas de pressão ambiental na região”, destacou o estudo.
A análise mostra que, até 2022, havia um padrão de crescimento do desmatamento, interrompido em 2023 com uma queda bastante significativa que se manteve em 2024. No entanto, os focos de calor apresentaram variações mais instáveis, com aumentos em algumas áreas e redução em outras. No último ano, a seca que atingiu boa parte da Amazônia pode ter contribuído para a escalada das queimadas.
“Apesar dos avanços no controle do desmatamento, o aumento dos focos de calor ressalta a urgência de políticas públicas integradas e de um monitoramento ambiental rigoroso”, comentou Marcelo da Silveira Rodrigues, secretário-executivo do Observatório da BR-319.
A reconstrução da BR-319, em especial do chamado “Trecho do Meio”, é motivo de polêmica por conta dos impactos ambientais da obra em uma das áreas mais preservadas da Amazônia brasileira. Mesmo com estudos que indicam que a estrada poderá intensificar o desmatamento, inclusive em Áreas Protegidas, o governo federal insiste em tocar o projeto.
A Crítica, Amazonas Atual e ((o)) eco repercutiram a análise do Observatório da BR-319.



