
A confirmação do empresário gaúcho Dan Ioschpe como climate champion (campeão climático) da COP30 na semana passada surpreendeu muitos observadores, que não o tinham entre os favoritos para a vaga. No entanto, para quem entende o desafio do posto, que serve como interlocutor entre as negociações climáticas da ONU e o mundo da economia, a escolha atende a um objetivo estratégico do Brasil em Belém (PA): começar a tirar os compromissos diplomáticos da última década do papel.
No Valor, Daniela Chiaretti fez um perfil de Ioschpe, um novato nas discussões internacionais sobre clima. Entre suas credenciais, destaca-se a direção do B20, um fórum empresarial, durante a presidência brasileira do G20. Apesar da pouca experiência com negociações climáticas internacionais, a expectativa da presidência da COP30 é que o perfil prático e focado do novo climate champion contribua para transformar o evento na “COP da Implementação”.
“O desafio é acelerar, dinamizar e incentivar uma agenda que já está muito bem definida, que os governos pactuaram há um bom tempo e que é fundamental para o bem-estar da Humanidade e o desenvolvimento socioeconômico mais adequado”, afirmou Ioschpe. “A posição do champion não é negociar com os governos, mas (…) usar esse arcabouço existente e fazer com que alcance a expansão máxima possível na sociedade”.
A costura diplomática entre as negociações climáticas e o setor privado é um desafio importante na agenda dos climate champions – e, neste ano, os retrocessos políticos patrocinados pelo negacionismo da extrema-direita deixaram esta tarefa ainda mais complexa. Para o champion da COP30, a chave para ajudar a destravar o diálogo está na realidade da crise climática para os atores econômicos e da necessidade de enfrentá-la como pré-requisito para o progresso das economias.
“Não conseguiremos ter atividade socioeconômica normal numa situação de crise climática continuada a partir de um certo ponto, e isso pode ser muito em breve. Precisamos alterar essa situação. Isso passa pela ação climática, que poderia nos levar a ter controle melhor de situações que agridem o nosso planeta e permitiriam a continuidade de um caminho socioeconômico positivo para toda a Humanidade, disse Ioschpe.
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Em tempo 1: O governo federal deve contratar dois navios de cruzeiro para ajudar a ampliar a oferta de leitos de hospedagem em Belém. Segundo a Folha, as embarcações Costa Diadema e MSC Seaview devem acrescentar cerca de 9,5 mil quartos, com prioridade para as delegações governamentais. Outra medida de ampliação temporária da rede hoteleira destacada pela Folha é a adaptação dos motéis e outros prédios comerciais, o que vem sendo feito pelos proprietários de olho na demanda de visitantes para a COP. O Climate Home também abordou a movimentação na capital paraense para abrigar os participantes da COP em novembro.
Em tempo 2: O Valor destacou a irritação de moradores da Vila da Barca, a 4ª maior favela do Brasil, com uma das obras de preparação de Belém para a COP30. A construção de um sistema de esgotamento sanitário está atravessando a comunidade e, segundo moradores, dejetos de um bairro nobre e entulhos de outras obras estão sendo jogados em uma fossa aberta próxima às casas. A população acusa a prefeitura de Belém e o governo do Pará, responsáveis pela obra, de racismo ambiental e de deixar a comunidade fora da rede em construção. Já as autoridades dizem que a construção ainda está em andamento, que as casas da Vila da Barca serão conectadas à rede e que o tratamento dos dejetos não será feito no local atual, mas sim em uma estação no bairro do Uma, na divisa com Ananindeua. Para o prefeito Igor Normando (MDB), trata-se de um “erro de comunicação”.



