Foz do Amazonas: mesmo com pressão da Petrobras, simulado de vazamento não deve acontecer neste mês

Segundo o IBAMA, não há data para APO; “Tarifa Bolsonaro” criada por Trump pode afetar petroleiras dos EUA que compraram áreas na região.
15 de julho de 2025
Petrobras descarte água contaminada
Gustavo Moreno/Metrópoles

Quando recebeu sinal verde do presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, para a Avaliação Pré-Operacional (APO, espécie de simulado de vazamento) no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas, a Petrobras pretendia iniciar o teste no dia 14 de julho. A pressão da petroleira, porém, não funcionou: segundo o órgão ambiental, ainda não há uma data definida para a atividade.

De acordo com a Folha, a expectativa no IBAMA é que a APO no bloco 59 comece somente em agosto. Em uma etapa prévia, técnicos do órgão vistoriaram nos últimos dias as embarcações de resposta a vazamentos e de resgate de animais, bem como a base para cuidar da fauna impactada, construída pela Petrobras no Oiapoque (AP).

Com isso, o IBAMA deixou para esta semana o planejamento da APO. Nessa etapa, o órgão definirá o roteiro da simulação e quais critérios serão avaliados, por exemplo – um trabalho que deve perdurar por algumas semanas. Por isso, o simulado não deve acontecer neste mês.

Enquanto a Petrobras aguarda o sinal verde do IBAMA para a APO, a Deutsche Welle destacou os cálculos de Shigueo Watanabe Jr., especialista em mudanças climáticas e pesquisador do ClimaInfo, sobre o impacto das reservas de combustíveis fósseis da Foz do Amazonas sobre as emissões globais de carbono. São 4,7 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO₂e), mais de duas vezes o que o Brasil emitiu em 2023.

Somando as demais bacias da Margem Equatorial – toda a região litorânea entre o Amapá e o Rio Grande do Norte –, o volume de emissões totaliza 13,5 bilhões de tCO₂e. É mais do que o Brasil emitiu nos últimos cinco anos, incluindo o desmatamento, a agropecuária e o setor de energia.

“Se tiver aquele petróleo todo [projetado pela Empresa de Pesquisa Energética, EPE], se tirar o petróleo todo e se ele for transformado em gasolina, diesel e GLP, e queimado, é muita coisa que será emitida”, reforçou Watanabe Jr..

Já o Valor abordou um efeito colateral da tarifa de 50% imposta por Trump às importações brasileiras dos EUA. Para o chefe de estratégia de combustíveis e refino para América Latina da S&P,  Felipe Perez, a “Tarifa Bolsonaro” – já que ela visa livrar a cara do ex-presidente Jair Bolsonaro em suas encrencas judiciais no Brasil – pode afetar as relações das petroleiras estadunidenses que atuam aqui, como as Exxon e Chevron, que adquiriram áreas na foz no “leilão do fim do mundo” promovido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) em junho.

“Temos que entender até onde vai e como será a resposta brasileira a essa taxa, o que pode iniciar um jogo de retaliações. Em um momento em que temos empresas dos EUA entrando em áreas da Foz do Amazonas, o cenário fica complicado”, explicou Perez.

  • Em tempo 1: Após pedido da Petrobras, a ANP suspendeu o prazo exploratório dos contratos da petroleira em seis blocos na Foz do Amazonas, até que o IBAMA conceda [ou não] a licença para o poço no bloco FZA-M-59. Além do próprio 59, foram beneficiados os blocos FZA-M-57, FZA-M-86, FZA-M-88, FZA-M-125 e FZA-M-127. As petroleiras se valem de brechas regulatórias para manter suas concessões. Pelas regras, o descumprimento dos prazos contratuais obrigaria a devolução dos blocos, mas a agência permite prorrogar prazos em “casos fortuitos”, ou seja, fora do controle das concessionárias. Com esse argumento, as petroleiras usam o que consideram atrasos no licenciamento ambiental para manter os contratos ativos. A notícia é da eixos.

  • Em tempo 2: A Justiça Federal do Amapá deu 30 dias para que a União, o INCRA e a Fundação Palmares apresentem um cronograma para realizar todas as etapas pendentes até a titulação do Quilombo Kulumbú do Patuazinho, em Oiapoque. Autora da ação, a Associação Quilombola Kulumbú do Patuazinho alega que a comunidade tem sofrido com invasões e ameaças após a expectativa de exploração de petróleo na Foz do Amazonas. O Globo deu mais detalhes.

  • Em tempo 3: O conselho de administração da Petrobras aprovou a indicação de Angélica Laureano para a Diretoria de Transição Energética e Sustentabilidade da petroleira, vaga desde a saída de Maurício Tolmasquim, no fim de maio. Angélica foi funcionária de carreira da Petrobras por 37 anos e atuou nas áreas de Materiais, Abastecimento, Gás e Energia, além de ter sido presidente da Gaspetro, subsidiária responsável pela gestão de participação em 19 distribuidoras de gás em diversos estados do Brasil. Após se aposentar na Petrobras, foi consultora em diversos projetos na área de gás, e desde dezembro presidia a Transportadora Brasileira Gasoduto Bolívia-Brasil (TBG), outra subsidiária da estatal. Poder 360, InfoMoney, Agência Infra, Valor e eixos deram a notícia.

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