
A 1ª rodada de financiamento do Fundo de Resposta a Perdas e Danos (FRLD, sigla em Inglês) se abriu com US$ 250 milhões em pedidos de propostas para projetos, informou a diretora executiva da COP30, Ana Toni, na 2ª-feira (10/11). Segundo ela, o início da operação do mecanismo é uma conquista já no início das negociações da conferência do clima, em Belém, informa O Globo.
O FRLD foi criado na COP27, no Egito, em 2022. Sua partida ocorre poucos meses após organizações da sociedade civil e países insulares ameaçados pelas mudanças climáticas criticarem os países ricos por não assumirem seus compromissos com o fundo. As nações desenvolvidas estariam atrasando as doações prometidas para o mecanismo.
Países mais afetados por eventos climáticos extremos celebraram a chamada inaugural de propostas para o fundo, de acordo com o Climate Home. Mas, para Harjeet Singh, diretor fundador da Fundação Climática Satat Sampada, da Índia, a iniciativa “já está falhando com as pessoas que prometeu proteger”, destaca o Down to Earth. Ele salientou que o FRLD necessita de uma correção de rumo urgente e exigiu que o seu tamanho fosse proporcional à dimensão da crise.
“Enquanto estamos em Belém, os impactos devastadores das mudanças climáticas estão atingindo a Jamaica e as Filipinas. Essas pessoas precisam de ajuda agora. No entanto, o fundo está começando com uma fração da escala necessária, não tem acesso real às comunidades mais afetadas e falhou completamente em funcionar como um mecanismo de resposta rápida”, disse.
Outro anúncio no dia 1º da COP30 foi o aporte de US$ 100 milhões da Alemanha e da Espanha ao Fundo de Investimento Climático (CIF, sigla em Inglês), mecanismo multilateral de US$ 13 bilhões vinculado ao Banco Mundial. Segundo a Bloomberg, os recursos se destinam a um novo programa do CIF, o ARISE (Acelerando Investimentos em Resiliência e Inovações para Economias Sustentáveis) lançado em outubro, cujo objetivo é ajudar os países em desenvolvimento a “transformar o risco climático em oportunidade” e a fortalecer a “capacidade de adaptação” de suas economias, explicou o fundo.
Na linha das promessas, dez bancos multilaterais de desenvolvimento anunciaram um compromisso conjunto de ampliação do financiamento climático para países de baixa e média renda, informam Bloomberg, Folha e O Globo. As instituições esperam destinar US$ 185 bilhões a uma combinação de projetos de adaptação e mitigação até 2030. Desse total, US$ 120 bilhões viriam de recursos dos próprios bancos e US$ 65 bilhões da mobilização de capital privado, detalhou o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ilan Goldfjan.
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Em tempo 1: Secretário do Clima da COP30, o embaixador Maurício Lyrio revelou uma "decepção" da organização da conferência do clima com o ritmo e a quantidade de metas climáticas (NDCs) entregues pelos países, informa a CNN. Até anteontem, 111 nações tinham entregue suas NDCs à ONU, informam Alma Preta e Revista Amazônia.
Em tempo 2: Um feito inédito: no 2º dia da COP30, a presidência brasileira da conferência recebeu o primeiro documento científico encomendado diretamente para orientar as negociações climáticas em curso. E pela primeira vez desde a criação das conferências do clima da ONU, em 1995, a ciência ganha o Pavilhão da Ciência Planetária, na Blue Zone, informa a Exame. O espaço é liderado pelos dois cientistas mais renomados do mundo: Johan Rockström, diretor do Instituto Potsdam, e Carlos Nobre, climatologista que tem trabalhos focados na Amazônia.
Em tempo 3: Com 56.118 delegados inscritos, a COP30 é provisoriamente a 2ª maior conferência do clima da história, atrás apenas da COP28, de Dubai, que recebeu mais de 80.000 pessoas. No entanto, o Carbon Brief ressalta que o total é provisório, tendo como base os delegados que se inscreveram para participar presencialmente da cúpula. Nas COPs recentes, o total final tem sido pelo menos 10.000 menor, o que faria com que a COP30 caísse para a 4ª colocação. Como era de se esperar, a maior delegação é a do Brasil, com 3.805 pessoas inscritas. Em seguida, vêm China, Nigéria, Indonésia e República Democrática do Congo.
Em tempo 4: O Globo mostra que os pavilhões na Blue Zone da COP30 refletem as desigualdades socioeconômicas e geopolíticas, com países pagando US$ 200/m² por espaço. Petroestados como Arábia Saudita e Venezuela ocupam grandes áreas, enquanto nações menos favorecidas são relegadas à periferia. O Brasil, anfitrião, optou por um espaço amplo, mas simples. A diversificação inclui desde ONGs até wine bars, cada um buscando atrair a atenção de forma única.



