
Os primeiros refugiados climáticos de Tuvalu, nação insular no Oceano Pacífico, chegaram à Austrália. O fato é simbólico e marca o primeiro esforço de realocação de habitantes de uma nação vulnerável às mudanças climáticas.
Localizado entre a Austrália e o Havaí, Tuvalu é composto por uma cadeia de atóis baixos, com apenas 26 km² de terra no total, a maior parte dos quais fica a menos de dois metros acima do nível do mar. Com uma população de cerca de 11 mil pessoas, o país figura entre os países com maior risco de sumir do mapa devido ao aumento do nível do mar.
No principal atol de Tuvalu, Funafuti, 60% dos habitantes vivem em uma faixa de terra com apenas 20 metros de largura, segundo o Independent. As famílias vivem sob telhados de colmo, e as crianças jogam futebol na pista do aeroporto devido à restrição de espaço.
Até 2050, cientistas da NASA estimam que as marés diárias possam subir 1 metro, submergindo até metade do atol. No pior dos cenários, as marés subirão 2 metros, o que comprometerá 90% do principal atol do país, informam France 24 e Um Só Planeta.
O pacto com a Austrália, firmado em 2023, é conhecido como União Falepili e permite a entrada de até 280 vistos climáticos por ano. Um terço da população se inscreveu para migrar para o país. A ministra australiana das Relações Exteriores, Penny Wong, disse à Reuters que o visto oferece “mobilidade com dignidade, proporcionando aos tuvaluanos a oportunidade de viver na Austrália à medida que os impactos climáticos pioram”.
Os cidadãos de Tuvalu poderão morar, estudar, trabalhar e ter acesso ao sistema de saúde australiano, recebendo, inclusive, apoio financeiro ao chegar ao país. Na época do acordo, a Austrália se comprometeu a destinar 16 milhões de dólares australianos (R$ 57,5 milhões) para a proteção do território do arquipélago.
O acordo também é de interesse geopolítico do governo australiano, que disputa a influência na região com a China. Em troca do abrigo, Tuvalu cede à Austrália o direito de pronunciar-se em caso de futuros acordos de defesa do arquipélago com terceiros. Isso acontece porque, na época, as Ilhas Salomão assinaram um pacto de defesa com Pequim, que prevê, entre outros pontos, a presença de tropas chinesas na região.
Deutsche Welle, Folha e Exame também noticiaram a chegada dos primeiros refugiados climáticos à Austrália.



