
Estima-se que 300 pessoas tenham morrido em decorrência das chuvas extremas que atingiram África do Sul, Moçambique, Zâmbia, Zimbábue e Essuatíni (ex-Suazilândia) desde dezembro. Outras centenas de milhares foram deslocadas e desalojadas devido aos temporais.
As chuvas fazem parte da rotina do sudeste da África nesta época do ano. Mas um estudo publicado na 5ª feira (29/1) pela World Weather Attribution (WWA), rede global de cientistas climáticos, aponta que a intensidade desses eventos aumentou em 40% devido às mudanças climáticas. Algumas regiões receberam o equivalente a um ano de precipitação em poucos dias.
Segundo os pesquisadores, enchentes como as que ocorreram no final de dezembro e em janeiro ocorrem a cada 50 anos. No entanto, as inundações no sudeste africano se tornaram mais frequentes e graves à medida que as mudanças climáticas tornam as tempestades no Oceano Índico mais intensas. O La Niña também intensificou as precipitações no período de dez dias analisado em 22%, informam Folha e Bloomberg.
O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, sigla em Inglês) estima que quase 800 mil pessoas foram afetadas pelas fortes chuvas. Em Moçambique, o país mais atingido, estimativas preliminares indicam a necessidade de cerca de US$ 644 milhões (R$ 3,3 bilhões) para a reconstrução da infraestrutura.
Moçambique é um dos países mais pobres do mundo. Lá, as chuvas inundaram mais de 180 mil hectares de terras agrícolas, dificultando o acesso a alimentos, segundo o RFI. “Antes das inundações, um saco de arroz custava 1.600 meticais (moeda local), ou 20 euros; hoje custa 2.300, ou 30 euros”, contou Marta José Bila, chefe de um abrigo de emergência em Xai Xai, capital da província de Gaza, no sul do país, uma das mais afetadas.
Na África do Sul, o Parque Nacional Kruger, uma das maiores reservas de vida selvagem do continente africano, precisou ser fechado devido ao transbordamento de rios. Os danos causados pelos temporais levarão anos para serem reparados e custarão milhões de dólares.
O norte da África do Sul esteve sob alerta meteorológico vermelho durante mais de uma semana. Autoridades dizem que algumas áreas estão inacessíveis.
“Muitas pontes e estradas foram destruídas. As comunidades estão completamente isoladas do mundo. Eles não têm eletricidade. Toda a sua comida está contaminada e não há água potável”, disse Ali Sablay, chefe de missão da ONG Gift of the Givers, que ajuda as vítimas com fornecimentos essenciais.
Para além de estudos como o da WWA, especialistas dizem que é necessário e urgente aprimorar os modelos climáticos utilizados na África, com o desenvolvimento de modelos locais, destaca o Down To Earth. Os modelos atuais não conseguem captar nuances regionais que poderiam auxiliar a emitir alertas precoces de eventos climáticos extremos.
New York Times, BBC e Reuters também noticiaram os impactos das chuvas extremas na África Meridional.



