
Dez dias depois de notificar o vazamento de fluidos durante a perfuração do poço de pesquisa na região da foz do rio Amazonas, a Petrobras ainda não deu explicações à Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) sobre o que teria causado o vazamento. Assim, as operações da empresa no bloco FZA-M-59, liberadas no final do ano passado, permanecerão temporariamente suspensas.
Segundo a CNN Brasil, a Petrobras tem um prazo máximo de 90 dias, contados a partir da data do vazamento, para encaminhar à ANP um relatório detalhado sobre o incidente, com informações sobre as causas do vazamento. No entanto, até que o relatório seja enviado e a ANP acolha ou não as justificativas apresentadas, a empresa não poderá retomar a operação na região.
“A ANP segue acompanhando o ocorrido e seus desdobramentos junto à Petrobras, que vem enviando informações diárias sobre as ações adotadas na resposta ao incidente, e junto à Marinha e ao IBAMA, no âmbito do Grupo de Acompanhamento e Avaliação”, informou a agência.
O IBAMA também pediu mais informações à Petrobras sobre o incidente, a fim de avaliar as consequências ambientais e analisar possíveis mudanças no gerenciamento de risco na região da Foz do Amazonas. Como o R7 assinalou, grupos ambientalistas defendem a não retomada das operações e a suspensão definitiva da perfuração.
“Não existe atividade de exploração de petróleo livre de riscos. A Petrobras, por mais qualificada que seja, não está imune a falhas em suas operações, que, neste caso, podem expor um ecossistema sensível e ainda pouco conhecido a danos irreparáveis”, argumentaram o Observatório do Clima, Greenpeace Brasil e WWF-Brasil em petição apresentada à Justiça Federal do Amapá.
Em artigo no site The Conversation, o professor Nils Asp, da Universidade Federal do Pará (UFPA), reforçou a necessidade de considerar os riscos do projeto da Petrobras na Foz do Amazonas. “O recente acidente, com vazamento de aproximadamente 18 mil litros de fluidos de perfuração, ocorrido menos de dois meses após o início das operações, é um lembrete poderoso dos riscos. Embora o acidente em si seja considerado de pequenas dimensões e baixo dano ambiental, fica evidente que acidentes podem acontecer, e o risco de dano ambiental precisa estar sempre em nossos radares”, defendeu.
Em tempo: A BBC Brasil mostrou como o início das operações da Petrobras no litoral do Amapá está atraindo pessoas para a pequena cidade de Oiapoque. Com a expectativa de que a região se beneficie dos royalties da exploração petroleira, a cidade do extremo norte do Brasil vive uma explosão de construções, com a derrubada de florestas para dar lugar a novos bairros. O caos político na cidade, cujo prefeito foi cassado sob acusação de compra de votos, facilita um crescimento desordenado, com ocupações ilegais de áreas públicas.



