
A Petrobras entregou ao IBAMA na 2ª feira (2/2) um relatório sobre o vazamento de quase 20 mil litros de fluido de perfuração durante a perfuração do poço de exploração Morpho no bloco FZA-M-59, na Foz do Amazonas. O acidente completou um mês ontem. Desde o dia 4 de janeiro, os trabalhos de abertura do poço estão suspensos.
No documento ao órgão ambiental, que investiga o acidente, a Petrobras diz que “em nenhum momento houve comprometimento da segurança do poço”, relata a Brasil Energia. “Os conjuntos solidários de barreiras permaneceram 100% íntegros e operacionais. As linhas auxiliares envolvidas não integram o sistema de barreiras de segurança do poço, não tendo sido identificada qualquer condição que representasse risco à integridade do poço, à segurança operacional, às pessoas envolvidas e ao meio ambiente”, afirma o relatório.
A petrolífera também forneceu mais detalhes sobre o vazamento, ocorrido durante testes e verificações prévias ao início da perfuração da fase 4 do poço pela plataforma NS-42 (ODN-II), da Foresea. Segundo a Petrobras, foi observada uma perda localizada de contenção de fluido de perfuração em linhas auxiliares do riser (tubulação que liga a plataforma ao poço).
A Exame lembra que o local do vazamento fica a cerca de 50 km do Grande Sistema de Recifes da Amazônia (GARS), formação única que ocupa cerca de 9.500 km² entre o Amapá e o Maranhão. Estudos mostram também três Territórios Indígenas, seis comunidades quilombolas e 34 Áreas Protegidas com alta vulnerabilidade à contaminação por hidrocarbonetos – incluindo o maior manguezal contínuo do país e um dos maiores do mundo.
Ao Valor, o IBAMA informou que acompanha a apuração e mantém contato com a Petrobras e também com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) para avaliar a segurança operacional da retomada da atividade. Segundo o órgão, não há prazo para concluir a investigação. “O IBAMA acompanha o processo de apuração para, quando identificadas as causas da ocorrência, poder verificar se há necessidade de algum ajuste no processo de licenciamento ambiental.”
Nesta semana, a ANP iniciou sua auditoria sobre o acidente e a segurança da sonda de perfuração. Até sábado (7), técnicos do órgão regulador farão inspeções in loco, na própria plataforma. E a partir da próxima 2ª feira (9), as análises da ANP serão feitas remotamente.
A perfuração de Morpho somente será retomada após autorização da agência.
Em tempo: O mesmo governo que deve entregar na 6ª feira (6/2) as diretrizes para a elaboração de um mapa do caminho para além dos combustíveis fósseis continua apostando no petróleo e no gás fóssil. Na 2ª feira (2), na retomada dos trabalhos legislativos, o governo entregou ao Congresso um documento de 914 páginas com prioridades para 2026. Segundo a eixos, a transição energética é mencionada 37 vezes, mas um dos focos é o petróleo. A primeira menção a “transição energética” ocorre ao lado da palavra “segurança”, em um capítulo dedicado a detalhar os investimentos do Novo PAC. Dos R$ 713 bilhões mapeados na carteira de energia, R$ 461 bilhões estão em petróleo e gás. A transição vem novamente acompanhada da palavra “segurança” no capítulo de infraestrutura, e entre os destaques estão as políticas para biocombustíveis RenovaBio e Combustível do Futuro. Outra surpresa: a construção de um mapa do caminho para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis aparece focada no trabalho que está sendo feito pela presidência da COP30, não no roteiro nacional que o próprio governo prometeu desenvolver.



