
Um parecer da Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis (ANP) aponta que as fortes correntes costeiras do Amapá foram fator relevante para o vazamento de 18 mil litros de fluido da sonda ODN II, da Petrobras. Apesar da análise, a agência liberou a retomada das atividades de perfuração mediante condicionantes, atropelando a conclusão de duas auditorias sobre a segurança das operações que ainda estão em andamento.
O vazamento aconteceu no dia 4 de janeiro a cerca de 2.700 metros de profundidade em duas tubulações flexíveis conhecidas como “risers“, que ligam a plataforma ao fundo do mar. O parecer da ANP aponta falhas na vedação das juntas dessas duas linhas, relata a Folha, que são mais sensíveis à vibração, à curvatura e ao desgaste mecânico.
“Desde o início do processo de licenciamento do bloco 59, especialistas alertavam para as fortes correntes marítimas na Foz do Amazonas, e a análise da ANP parece confirmar que o risco apontado é real”, avalia Shigueo Watanabe Jr, especialista em mudanças climáticas e energia do ClimaInfo, ao InfoAmazonia.
Como já comentamos, a ANP condicionou a retomada da perfuração à substituição integral de todos os selos das juntas de riser, à comprovação de treinamento das equipes, ao aumento da frequência de monitoramento de vibrações nos primeiros meses da operação e à proibição do uso de juntas de riser reserva sem certificação.
“À exceção das impurezas – algo aparentemente interno à tubulação onde houve o vazamento -, os demais pontos listados [pela ANP] têm relação com as correntes marítimas: vibrações excessivas na sonda de perfuração, curvatura do riser e possíveis desvios na instalação”, avaliaram Alexandre Gaspari, jornalista e especialista em energia do ClimaInfo, e Shigueo Watanabe Jr. no Prensa Mercosur.
Vale lembrar que a Petrobras já tentou perfurar a região em 2011, quando uma sonda ali ancorada se desprendeu sob a força oceânica, o que resultou no abandono do equipamento no fundo do mar, no vazamento de fluidos e em multas.
Em decorrência do vazamento atual, a Petrobras foi multada em R$ 2,5 milhões, informaram CBN, Rádio Itatiaia e Metrópoles. Segundo o IBAMA, o fluido contém componentes que podem representar risco médio para a saúde e o ecossistema aquático. A estatal deu prazo de 20 dias para receber o valor ou para a apresentação de defesa.
Em resposta, a Petrobras afirmou que adotará “as providências cabíveis”, mas diverge da avaliação do IBAMA, alegando que o material não provoca danos ambientais, segundo a Band.
Times Brasil, Poder 360, Veja, Am Post, Agência Infra, InfoMoney, g1, Agência Cenarium, Valor, CNN Brasil e Folha também noticiaram a multa milionária recebida pela Petrobras.



