
Juiz de Fora (MG) é a 9ª cidade do país com o maior número absoluto de pessoas morando em áreas de risco. Segundo uma nota técnica do CEMADEN do ano passado, são quase 130 mil moradores vivendo nessas condições – cerca de um quarto da população total da cidade – o que ajuda a explicar a tragédia dos últimos dias.
Entre 2ª e 3ª feiras (23 e 24/2), Juiz de Fora recebeu quase toda a chuva esperada para fevereiro, cerca de 200 mm. As inundações e os deslizamentos de terra provocados por tanta água em tão pouco tempo criaram um cenário de destruição e morte na cidade da Zona da Mata mineira.
Até às 17h de ontem (25/2), a Defesa Civil da cidade confirmou a morte de 40 pessoas, e 31 ainda estavam desaparecidas – ao todo, 101 pessoas foram vítimas de soterramento. Ubá, a cerca de 100 km da cidade, registrou seis mortes e dois desaparecidos, conta a CNN Brasil.
Também até a tarde de ontem, a Defesa Civil de Juiz de Fora registrou mais de 800 ocorrências – a maioria delas de escorregamentos de talude, ameaças de escorregamento e alagamentos, detalha o UOL. Cerca de 1.000 pessoas estavam sem energia e há mais de 3.500 desabrigadas e desalojadas.
A cidade tem um relevo acidentado e encostas íngremes ocupadas por pessoas. Segundo Marcelo Seluchi, coordenador geral de operações e modelagem do CEMADEN ouvido pelo UOL, é uma geografia que se assemelha à de Petrópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, que também foi fortemente atingida por chuvas extremas em 2022. O que mostra que as autoridades sabem dos riscos, mas só se movimentam quando a tragédia ocorre.
A situação piora com eventos extremos cada vez mais frequentes e intensos provocados pelas mudanças climáticas. O Oceano Atlântico está de 2oC a 3oC mais quente que o habitual, alimentando as chuvas.
Juiz de Fora tem encostas voltadas diretamente para o oceano, o que facilita o recebimento direto de umidade vinda do mar. Com o mar mais quente, o serviço ecossistêmico de evaporação se potencializa, o que torna a região mais sensível a chuvas extremas.
O resultado do negacionismo climático e da inação política se traduz em histórias tristes como a da técnica de enfermagem, Jaqueline Vicente. Ela foi socorrida com vida depois de passar mais de 15 horas soterrada, mas não resistiu aos ferimentos. Seus dois filhos e seu companheiro ainda não foram encontrados. A mãe morreu na tragédia, relata o g1.
Em Ubá, as chuvas tomaram o subsolo do campus da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), destruindo o que encontrou pela frente: livros, mobiliário e equipamentos de alto valor. A diretora da unidade, Kelly Silva, estimou ao g1 um prejuízo de até R$ 10 milhões.
A Defesa Civil e o INMET mantêm o alerta de “grande perigo” para a região devido à saturação do solo, o que eleva o risco de novos deslizamentos de terra e inundações, mesmo com a diminuição da intensidade das chuvas.
Agência Pública, Estadão e O Tempo também noticiaram os impactos das chuvas extremas na região de Juiz de Fora.



