TCU decide investigar MME por aumento de preço no leilão de energia elétrica

Auditoria da área técnica diz ter encontrado indícios de irregularidades na decisão de elevar os valores, que favoreceu empreendedores.
3 de março de 2026
TCU Âmbar Energia térmicas a gás fóssil
Senado Federal/WikimediaCommons

O Tribunal de Contas da União (TCU) abriu um processo para investigar indícios de irregularidades no processo de decisão do Ministério de Minas e Energia (MME) – pasta liderada por Alexandre Silveira –  de elevar em até 100% os preços-teto para o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) deste ano. O certame vai contratar termelétricas movidas a combustíveis fósseis, entre outras fontes de energia, e está marcado para os dias 18 e 20 de março.

Segundo uma auditoria da área técnica do TCU, o MME não apresentou fundamentação técnica suficiente para permitir o aumento, o que pode gerar uma alta injustificada nas contas de luz pagas pela população, destaca a Folha. O entendimento é que a medida fere o princípio da modicidade tarifária, colocando em risco o equilíbrio econômico do setor elétrico brasileiro.

Os valores máximos para o LRCAP divulgados no início de fevereiro frustraram empreendedores interessados em participar do certame. Para os Produtos Potência Termelétrica 2026 e 2027, o ministério estabeleceu um teto de R$ 1,12 milhão por megawatt-ano (MW-ano) para usinas existentes. Já para os Produtos Potência Termelétrica 2028, 2029, 2030 e 2031, o MME determinou o mesmo valor para plantas já instaladas e R$ 1,6 milhão por MW-ano para projetos novos.

Após a gritaria do mercado, dias depois a pasta de Alexandre Silveira resolveu aumentar – e muito – os valores. Elevou para R$ 2,25 milhões por MW-ano o preço-teto para as térmicas existentes – o dobro do valor inicial – e para R$ 2,9 milhões por MW-ano para termelétricas novas – mais de 80% maior que o preço-teto divulgado originalmente.

  • Em tempo: O leilão de reserva de capacidade (LRCAP) que ocorrerá neste mês poderá ser mais uma prova de que não há segurança energética com combustíveis fósseis. As termelétricas a gás fóssil que operam no país dependem da importação da versão liquefeita (GNL) desse combustível, que, assim como o petróleo, tem visto os preços dispararem no mercado internacional com o ataque de Israel e Estados Unidos ao Irã, explicam Capital Reset e Canal Solar. Ainda que o conflito não se estenda, ele expõe a vulnerabilidade da matriz elétrica brasileira em apostar na expansão de termelétricas movidas a combustíveis fósseis, que são propagandeadas como backup para fontes renováveis como eólica e solar.

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