Desastres climáticos afetaram mais de 336 mil pessoas no Brasil em 2025

CEMADEN mostra que enchentes, deslizamentos, estiagens severas e tempestades deixaram impactos em praticamente todas as regiões do país.
4 de março de 2026
desastres climáticos brasil 2025
Caroline Ferraz/Sul21

Os desastres associados a eventos climáticos extremos atingiram mais de 336 mil pessoas diretamente no Brasil em 2025. Os prejuízos econômicos chegaram a R$ 3,9 bilhões. É o que mostra o relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil”, do CEMADEN.

Segundo o levantamento, enchentes, deslizamentos, estiagens severas e tempestades deixaram consequências com impactos humanos, materiais e econômicos em praticamente todas as regiões do país no ano passado. Contudo, a maior concentração de impactos humanos ocorreu na Região Norte, onde mais de 202 mil pessoas foram diretamente atingidas, expondo a vulnerabilidade social diante das mudanças climáticas, destaca o Um só planeta.

Os dados do relatório baseiam-se em registros oficiais do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID). Entre os episódios mais graves relacionados a eventos extremos em 2025 estão: Ipatinga (MG), com o maior número de mortes (10) associadas a chuvas intensas; Manacapuru (AM), com o maior número de feridos e doentes, totalizando 5.202 pessoas após inundações; Beruri (AM), com 4.039 desabrigados; e Belém (PA), sede da COP30, que registrou o maior contingente de desalojados do país, com 10.012 pessoas obrigadas a deixar temporariamente suas casas.

Em relação a prejuízos financeiros, o Sul foi a região do país que mais sofreu com eventos climáticos extremos no ano passado, totalizando perdas de R$ 1,5 bilhão, informa a Tribuna do Sertão. Já o município de Belterra (PA) concentrou o maior prejuízo público devido a chuvas extremas, em março de 2025, destaca o Pará Terra Boa. “Apenas os custos relacionados à assistência médica, à saúde pública e ao atendimento de emergências médicas totalizaram aproximadamente R$ 356 milhões”, diz o relatório.

De acordo com o documento, as chuvas intensas continuam sendo o principal fator desencadeador de desastres no Brasil, especialmente em áreas urbanas ocupadas em encostas ou regiões suscetíveis a alagamentos – a tragédia climática em Juiz de Fora na semana passada é o exemplo mais recente. Eventos concentrados em poucas horas provocaram enchentes repentinas, interrupções de energia, destruição de infraestrutura e deslocamento populacional em cidades do Sudeste, Sul e Nordeste.

O país também enfrentou uma combinação crítica de estiagens prolongadas e ondas de calor em 2025. Oito estados chegaram a registrar seca em 100% do território; corredores de déficit hídrico se estenderam do Sudeste ao Norte; e cerca de 480 mil pessoas foram afetadas apenas pela estiagem no Amazonas, segundo estimativas citadas no relatório.

O CEMADEN destaca que o padrão observado não representa ocorrências isoladas, mas sim um comportamento recorrente de danos humanos e econômicos associados ao aumento dos eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas. A publicação lembra que no ano passado a temperatura média global atingiu 14,97°C – 0,01°C abaixo da registrada em 2023 e 0,13°C abaixo de 2024, o ano mais quente da série histórica, detalha a Rádio Itatiaia.

“As altas temperaturas globais, juntamente com os níveis recordes de vapor d’água na atmosfera em 2025, desencadearam ondas de calor sem precedentes, secas, incêndios e chuvas intensas, causando impactos significativos e miséria a milhões de pessoas”, frisa o relatório.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar