
Um novo boletim da Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou nesta 3ª feira (3/2) a possibilidade de retorno do El Niño ainda em 2026. A probabilidade é de 40% para o período de maio e junho, reacendendo a preocupação com extremos climáticos, informa a Folha.
Apesar das incertezas nas projeções aumentarem à medida que estas se estendem no ano, a tendência vem se consolidando, inclusive sendo respaldada pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA). Em janeiro, a agência estadunidense calculou entre 50% e 60% a chance do El Niño se instalar entre julho e setembro.
O El Niño caracteriza-se pelo aquecimento anormal das águas do Pacífico equatorial central e oriental. O fenômeno reconfigura padrões de chuva e temperatura em diversas regiões, provocando secas severas, enchentes e impactos econômicos amplos, explica a RFI.
No Brasil, o evento traz consequências como o aumento das chuvas no Sul e seca no Norte e Nordeste. Já na região central, que concentra os reservatórios das usinas hidrelétricas, o El Niño provoca irregularidade das precipitações e risco de ondas de calor, conta o Estadão.
Para a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo, a experiência com episódios como o super El Niño de 2023-2024, um dos cinco mais fortes já registrados, ajuda a dimensionar os riscos e a vulnerabilidade crescente dos sistemas naturais e urbanos.
“As previsões sazonais para El Niño e La Niña nos ajudam a evitar milhões de dólares em perdas econômicas e são ferramentas de planejamento essenciais para setores sensíveis ao clima, como agricultura, saúde, energia e gestão de recursos hídricos”, disse Celeste Saulo. “Elas também são uma parte fundamental da inteligência climática fornecida pela OMM para apoiar operações humanitárias e gestão de riscos de desastres, salvando assim vidas.”
A OMM também destaca que os fenômenos El Niño e La Niña ocorrem em um contexto de aquecimento global acelerado. A tendência eleva ainda mais as temperaturas globais e intensifica os eventos climáticos extremos, ressalta o Globo.



