Com guerra no Irã, países buscam outros suprimentos de petróleo

Nações da Ásia são as mais impactadas pelo conflito, mas preocupações aumentam em países da África, que veem estoques se esgotando.
18 de março de 2026
guerra irã
Reprodução vídeo AlJazeera

Cada dia da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã é mais uma prova de que não existe segurança energética com petróleo e gás fóssil. O conflito já fez disparar os preços desses combustíveis fósseis e agora afeta o abastecimento de nações nos quatro cantos do planeta, mas principalmente na Ásia. As alternativas, porém, são cada vez mais restritas.

Os governos asiáticos estão se esforçando para se adaptar à escassez de combustíveis fósseis, destaca o Independent – contabilizam reservas de petróleo, racionam energia, competem por suprimentos e tentam conter os preços. Isso acarreta escolhas difíceis: economizar energia pode desacelerar a atividade comercial. Priorizar o gás para residências afeta restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.

O Camboja, por exemplo, está importando mais combustível de fornecedores em Cingapura e Malásia para compensar a falta de oferta do Vietnã e da China. Cerca de um terço dos 6.300 postos do país fechou na semana passada pela incerteza sobre o impacto do conflito nos preços dos combustíveis. Agora, apenas 6% deles estão fechados, informa a Reuters. Mas a incerteza continua.

O Vietnã apelou ao Japão para receber petróleo, informa The Japan News, e a oferta vietnamita não deve aumentar mesmo após a guerra, já que a produção doméstica deverá diminuir nesta década, segundo um documento do governo destacado pela Reuters. Isso aumentará a dependência do país de importações, à medida que seus campos marítimos amadurecem.

Falando no Japão, nesta semana o país liberou 80 milhões de barris de suas reservas emergenciais, conforme um acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), mas viu os preços da gasolina dispararem, de acordo com a Bloomberg, atingindo o maior valor desde os anos 1990. Além disso, suas refinarias estão operando abaixo da capacidade, segundo a Reuters, por falta de petróleo do Oriente Médio.

A Índia já sente a falta de gás liquefeito de petróleo (GLP), que o país importa do Oriente Médio. Agora, relata a BBC, a preocupação é com o gás canalizado. Metade da produção é local, mas a outra é importada. Por isso, consumidores comerciais e industriais já estão tendo seu consumo racionado.

Apesar dos investimentos vultosos em fontes renováveis e um bom estoque de petróleo, a China também sofre. Segundo a Economist, sua vulnerabilidade resulta de seu apetite energético. O país produz mais petróleo que o Kuwait ou os Emirados Árabes Unidos; incluindo gasolina e outros líquidos refinados, sua produção supera a do Iraque. Mas consome mais energia que EUA, Rússia e Índia juntos – uma quantidade que supera em muito sua produção interna.

A situação também é bastante delicada na África. Muitas economias africanas estão funcionando com reservas de combustível refinado para semanas, já que a guerra interrompe os embarques pelo Estreito de Ormuz, forçando os governos a buscar alternativas às pressas, destaca a Bloomberg. Cerca de 600 mil barris diários de derivados de petróleo que normalmente chegam ao continente vindos do Oriente Médio estão em risco. Para alguns países, essas cargas suprem praticamente toda a demanda.

  • Em tempo 1: O governo dos Estados Unidos pretende tomar medidas adicionais para aliviar as sanções ao setor petrolífero da Venezuela, em um esforço para aumentar a produção de petróleo bruto. As medidas, que podem ser anunciadas ainda esta semana, incluem a emissão de mais licenças individuais permitindo que empresas estrangeiras trabalhem na Venezuela sem violar as sanções dos EUA, informa a Bloomberg. Tropas estadunidenses invadiram o país no início de janeiro e sequestraram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. E vários navios petroleiros com o combustível fóssil venezuelano foram desviados para os EUA antes da guerra com o Irã.

  • Em tempo 2: Depois da liberação recorde de 400 milhões de barris de petróleo em reservas emergenciais de seus Estados-membros, a Agência Internacional de Energia (IEA) anunciou que mais barris poderiam ser liberados, caso os preços do petróleo continuem escalando. A França, porém, já indicou que não está disposta a disponibilizar mais óleo cru do que o acordo atual, informa a Reuters. "No fim das contas, sabemos que a única maneira de liberar o mercado de petróleo é fazer com que o Estreito de Ormuz deixe fluir petróleo", disse o ministro de Finanças francês, Roland Lescure.

  • Em tempo 3: Mais sujeira e aquecimento global a caminho. As empresas de serviços públicos asiáticas estão aumentando a geração de energia a carvão para reduzir custos e salvaguardar o fornecimento elétrico, segundo a Reuters. Isso porque a guerra entre EUA e Israel contra o Irã prejudica os embarques de gás liquefeito (GNL) - que, embora também seja um combustível fóssil, tem emissões menores que as do carvão -, e os preços em alta ameaçam suprimir a demanda por GNL.

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