
Cada dia da guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã é mais uma prova de que não existe segurança energética com petróleo e gás fóssil. O conflito já fez disparar os preços desses combustíveis fósseis e agora afeta o abastecimento de nações nos quatro cantos do planeta, mas principalmente na Ásia. As alternativas, porém, são cada vez mais restritas.
Os governos asiáticos estão se esforçando para se adaptar à escassez de combustíveis fósseis, destaca o Independent – contabilizam reservas de petróleo, racionam energia, competem por suprimentos e tentam conter os preços. Isso acarreta escolhas difíceis: economizar energia pode desacelerar a atividade comercial. Priorizar o gás para residências afeta restaurantes e outros estabelecimentos comerciais.
O Camboja, por exemplo, está importando mais combustível de fornecedores em Cingapura e Malásia para compensar a falta de oferta do Vietnã e da China. Cerca de um terço dos 6.300 postos do país fechou na semana passada pela incerteza sobre o impacto do conflito nos preços dos combustíveis. Agora, apenas 6% deles estão fechados, informa a Reuters. Mas a incerteza continua.
O Vietnã apelou ao Japão para receber petróleo, informa The Japan News, e a oferta vietnamita não deve aumentar mesmo após a guerra, já que a produção doméstica deverá diminuir nesta década, segundo um documento do governo destacado pela Reuters. Isso aumentará a dependência do país de importações, à medida que seus campos marítimos amadurecem.
Falando no Japão, nesta semana o país liberou 80 milhões de barris de suas reservas emergenciais, conforme um acordo com a Agência Internacional de Energia (IEA), mas viu os preços da gasolina dispararem, de acordo com a Bloomberg, atingindo o maior valor desde os anos 1990. Além disso, suas refinarias estão operando abaixo da capacidade, segundo a Reuters, por falta de petróleo do Oriente Médio.
A Índia já sente a falta de gás liquefeito de petróleo (GLP), que o país importa do Oriente Médio. Agora, relata a BBC, a preocupação é com o gás canalizado. Metade da produção é local, mas a outra é importada. Por isso, consumidores comerciais e industriais já estão tendo seu consumo racionado.
Apesar dos investimentos vultosos em fontes renováveis e um bom estoque de petróleo, a China também sofre. Segundo a Economist, sua vulnerabilidade resulta de seu apetite energético. O país produz mais petróleo que o Kuwait ou os Emirados Árabes Unidos; incluindo gasolina e outros líquidos refinados, sua produção supera a do Iraque. Mas consome mais energia que EUA, Rússia e Índia juntos – uma quantidade que supera em muito sua produção interna.
A situação também é bastante delicada na África. Muitas economias africanas estão funcionando com reservas de combustível refinado para semanas, já que a guerra interrompe os embarques pelo Estreito de Ormuz, forçando os governos a buscar alternativas às pressas, destaca a Bloomberg. Cerca de 600 mil barris diários de derivados de petróleo que normalmente chegam ao continente vindos do Oriente Médio estão em risco. Para alguns países, essas cargas suprem praticamente toda a demanda.
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Em tempo 1: O governo dos Estados Unidos pretende tomar medidas adicionais para aliviar as sanções ao setor petrolífero da Venezuela, em um esforço para aumentar a produção de petróleo bruto. As medidas, que podem ser anunciadas ainda esta semana, incluem a emissão de mais licenças individuais permitindo que empresas estrangeiras trabalhem na Venezuela sem violar as sanções dos EUA, informa a Bloomberg. Tropas estadunidenses invadiram o país no início de janeiro e sequestraram o presidente venezuelano, Nicolás Maduro. E vários navios petroleiros com o combustível fóssil venezuelano foram desviados para os EUA antes da guerra com o Irã.
Em tempo 2: Depois da liberação recorde de 400 milhões de barris de petróleo em reservas emergenciais de seus Estados-membros, a Agência Internacional de Energia (IEA) anunciou que mais barris poderiam ser liberados, caso os preços do petróleo continuem escalando. A França, porém, já indicou que não está disposta a disponibilizar mais óleo cru do que o acordo atual, informa a Reuters. "No fim das contas, sabemos que a única maneira de liberar o mercado de petróleo é fazer com que o Estreito de Ormuz deixe fluir petróleo", disse o ministro de Finanças francês, Roland Lescure.
Em tempo 3: Mais sujeira e aquecimento global a caminho. As empresas de serviços públicos asiáticas estão aumentando a geração de energia a carvão para reduzir custos e salvaguardar o fornecimento elétrico, segundo a Reuters. Isso porque a guerra entre EUA e Israel contra o Irã prejudica os embarques de gás liquefeito (GNL) - que, embora também seja um combustível fóssil, tem emissões menores que as do carvão -, e os preços em alta ameaçam suprimir a demanda por GNL.



