
Quase um mês após o início dos ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, ainda há mais dúvidas do que certezas sobre o impacto do conflito na transição energética, destaca o Capital Reset. Mas a movimentação de investidores sinaliza expectativa positiva em relação à energia renovável.
Desde o início do conflito, os principais fabricantes de baterias e de sistemas de armazenamento de energia da China ganharam mais de US$ 70 bilhões (R$ 370 bilhões) em valor de mercado, segundo o Financial Times. As ações superaram o desempenho das grandes petrolíferas globais.
Os papéis de CATL, Sungrow e BYD subiram 19%, 19,4% e 21,9%, respectivamente. Desempenho melhor que o de BP (15,2%), Chevron (8,3%), Shell (4,7%) e ExxonMobil (4,7%) no mesmo período – companhias que se beneficiaram de uma alta de cerca de 50% nos preços do petróleo.
A alta das ações ilustra como a China e outros países importadores de petróleo podem responder ao conflito investindo mais em fontes renováveis para reforçar sua segurança energética. Líder da área de energia na Bernstein, casa de análise financeira e pesquisa de investimentos da gestora global AllianceBernstein, Neil Beveridge espera que o país – o maior importador de óleo cru do mundo – dobre sua aposta no plano de “eletrificar tudo”.
Outras grandes economias asiáticas, incluindo Japão, Coreia do Sul e Taiwan, também podem buscar energia renovável e combustíveis alternativos, avalia Beveridge. “Isso muda completamente todo o paradigma energético”, afirmou, acrescentando: “Mesmo que a guerra termine no próximo mês… não há volta.”
As baterias e os sistemas de armazenamento são essenciais à medida que cresce a implantação de fontes renováveis que geram energia de forma intermitente, como a eólica e a solar. As baterias também são essenciais para sustentar centros de dados de alto consumo de energia.
E é a China que lidera essa produção – que é crescente. De acordo com o grupo de pesquisa Mobility Foresights, o valor do mercado doméstico chinês de armazenamento de energia em larga escala deve saltar de US$ 48 bilhões (R$ 253 bilhões) no ano passado para US$ 199 bilhões (R$ 1 trilhão) até 2032.
Mas nem tudo são flores. Segundo a Bloomberg, as restrições de países africanos às exportações de metais essenciais para baterias são um duro golpe para as empresas chinesas que investiram bilhões de dólares no desenvolvimento de minas na região e no domínio do fornecimento.
A República Democrática do Congo começou a restringir as exportações de cobalto em fevereiro de 2025 para reduzir o excesso de oferta e agregar mais valor à sua produção, enquanto no mês passado o Zimbábue proibiu os embarques de concentrados de lítio para incentivar o processamento local. Essas medidas elevaram rapidamente os preços, que atualmente estão em patamares próximos aos mais altos dos últimos anos.
Em tempo: Com a expansão dos veículos elétricos, cientistas têm se preocupado com o desempenho das baterias em altas temperaturas, incluindo o possível impacto das mudanças climáticas na vida útil delas. No entanto, um estudo publicado na Nature Climate Change por pesquisadores da China e dos Estados Unidos descobriu que grandes avanços nas tecnologias de baterias para VEs mitigarão o impacto do aquecimento futuro, informa o SCMP. Os pesquisadores estudaram o impacto criando um modelo avançado que prevê as mudanças climáticas futuras e a degradação das baterias de veículos elétricos em 300 cidades ao redor do mundo. “Os avanços na tecnologia de baterias compensaram em grande parte os futuros efeitos adversos do aquecimento climático na vida útil delas”, afirma o artigo.



