Reino Unido defende transição como melhor resposta a choques do petróleo

País defenderá medida no G7, grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo, como forma de proteger suas economias.
30 de março de 2026
reino unido transição choques do petróleo
Montagem do ClimaInfo e imagens do Pexels

Chanceler do Tesouro do Reino Unido, Rachel Reeves alertou as nações do G7 sobre a necessidade de avançarem mais rapidamente em energia renovável para proteger suas economias contra choques nos preços globais do petróleo e do gás provocado pela guerra no Oriente Médio. Ela e o secretário de Energia britânico, Ed Miliband, reuniram-se na 2ª feira (30/3) com os ministros das Finanças e de Energia do grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo.

O primeiro-ministro Keir Starmer também se reuniria ontem com líderes dos setores de energia, transporte marítimo, financeiro e de seguros, comandantes militares e oficiais para discutir quais medidas de emergência podem ser necessárias para conter a crise contínua decorrente do bloqueio do Estreito de Ormuz, informa o Financial Times. No entanto, em resposta aos Conservadores e ao Partido Reformista, que a instaram a derrubar a proibição de novas licenças de petróleo e gás, Rachel ressaltou que a segurança energética a longo prazo, proveniente das energias renováveis ​​e nuclear, é a única maneira de evitar crises futuras, destaca o Guardian.

Desde o início da guerra, a alta dos preços do petróleo despertou memórias dos dramáticos choques petrolíferos de 1973 e 1979. A queda na oferta do combustível fóssil é mais acentuada agora do que na década de 1970, segundo o DW. O conflito e o fechamento quase total do Estreito de Ormuz reduziram a oferta global de petróleo em 8%. “Naquela época (década de 1970), a oferta global de petróleo caiu apenas cerca de 5%”, afirma Klaus-Jürgen Gern, economista do Instituto de Economia Mundial de Kiel.

Contudo, o especialista ressalta que os preços do petróleo subiram mais acentuadamente no passado do que agora, porque as incertezas eram maiores há 50 anos. O mercado espera uma estabilização dos preços em patamares mais baixos com o fim da guerra. No entanto, como houve danos a estruturas petrolíferas, o recuo dos valores pode demorar mais tempo do que se espera.

Independentemente da queda dos preços dos combustíveis fósseis e da velocidade com que isso irá ocorrer, a guerra no Oriente Médio acabou de vez com a falácia da “segurança energética” associada aos combustíveis fósseis. Além disso, reforçou a urgência da transição para fontes renováveis, até mesmo como garantia de paz, reforça Michael Mann, professor emérito e diretor do Centro Penn para Ciência, Sustentabilidade e Mídia da Universidade da Pensilvânia.

“A guerra do presidente Donald Trump contra o Irã é a personificação perfeita de tudo o que há de errado em nossa contínua dependência de combustíveis fósseis. E reforça ainda mais a necessidade de uma transição para energia limpa. A energia renovável promete uma fonte de energia mais segura, sustentável internamente e inesgotável, por meio de tecnologias como a eólica, solar, geotérmica e armazenamento de energia. Isso não levará ao aquecimento ainda maior do nosso planeta e à desestabilização do nosso clima. E não nos leva a travar guerras perigosas, muitas vezes equivocadas, em terras distantes”, avalia na Live Science.

New York Times, Mother Jones e New York Times também repercutiram os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre a transição energética.

  • Em tempo: Enquanto o Reino Unido quer instar o G7 a acelerar a implantação de renováveis por causa da guerra, a Alemanha, que integra o grupo, avalia resgatar o carvão. O país analisará a possibilidade de reativar centrais elétricas a carvão de reserva, numa tentativa de reduzir os preços da energia, que se mantêm elevados. Parlamentares do partido conservador do chanceler Friedrich Merz, assim como seus parceiros de coalizão, os social-democratas, concordaram com a medida como parte de um pacote de ações energéticas, informa a Bloomberg.

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