Estudo: Eletrificação é caminho mais rápido para independência energética de países emergentes

Eletrotecnologia pode beneficiar um bilhão de pessoas abandonadas pelo mercado fóssil e abrir caminho para a prosperidade, destaca o Ember.
6 de abril de 2026
eletrificação
Minku Kang/Unsplash

Com os preços do petróleo em disparada devido à guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã, a tecnologia elétrica (eletrotecnologia) está oferecendo a alguns dos países em desenvolvimento mais vulneráveis ​​do mundo um caminho mais rápido e acessível para a independência energética. Isso inclui painéis solares, turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos.

É o que mostra um relatório do think tank de energia Ember, feito com o Fórum de Países Vulneráveis ​​às Mudanças Climáticas (CVF) – coalizão de 74 países de África, Ásia, Caribe, América Latina e Pacífico – e os ministros das Finanças dos 20 países mais vulneráveis às mudanças climáticas (V20). Segundo o documento, 46% dos Estados-membros do CVF já ultrapassaram os EUA na geração solar em proporção à capacidade elétrica total, e 51% já os superaram em eletrificação da economia como um todo, detalha o SustainableViews.

O relatório aponta que as importações de painéis solares são pelo menos três vezes maiores do que sugerem as estatísticas oficiais em 8 dos 10 países do CVF. Além disso, o documento explica que a energia solar agora exige um menor investimento inicial do que a energia à base de combustíveis fósseis; que os sistemas solares com baterias já superam a extensão da rede para comunidades a mais de algumas dezenas de quilômetros das linhas existentes; e que as tecnologias de uso final de eletricidade tiveram uma queda de preço entre 30% e 95% na última década, detalham SolarBytes e Gulf News.

As nações do CVF abrigam mais de um quinto da população mundial, mas representam menos de 5% do PIB global e da demanda de eletricidade e 75% da população do mundo que vive com menos de 1 megawatt-hora (MWh) de eletricidade per capita, reforça o relatório. Para piorar, países da coalizão que são importadores líquidos de combustíveis fósseis gastaram US$ 155 bilhões em importações em 2024. Uma conta que deve aumentar muito neste ano, por causa da guerra no Oriente Médio, e reforça o caminho sem volta em direção à transição energética.

“O modelo convencional de desenvolvimento baseado em combustíveis fósseis não conseguiu atingir essas populações em larga escala. Para países com capacidade estatal limitada e altos custos de empréstimo, esse caminho fragmentado, centralizado e intensivo em capital, baseado em combustíveis fósseis, sempre representou um desafio enorme. Um caminho diferente está agora disponível. A rápida queda nos custos da eletrotecnologia está remodelando a economia da energia nesses mercados. São tecnologias escaláveis ​​em pequenos incrementos, desde a base. A oportunidade não está em competir com os combustíveis fósseis; está em incluir no preço o bilhão de pessoas que o sistema fóssil deixou para trás. A mudança já está em curso e avançando mais rápido do que muitos imaginam”, destaca o relatório.

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