Desastre humanitário no Paquistão reflete injustiça da crise climática

Paquistão desastre humanitário
Fareed Khan/AP

Autoridades do Paquistão estão preocupadas com o risco do maior lago do país transbordar por conta das enchentes das últimas semanas. O lago Manchar virou um dos focos principais de atenção depois de uma tentativa de drená-lo de maneira controlada ter fracassado, o que coloca em risco a cidade de Sehwan, onde vivem mais de 500 mil pessoas. A notícia é do Guardian.

O número de mortos pelas enchentes deste verão segue subindo, com a marca das 1,3 mil fatalidades sendo atingida nesta 2a feira (5/9). O impacto financeiro da crise segue incalculável neste momento, mas o governo paquistanês reiterou a necessidade de mais ajuda internacional para apoiar os esforços de resgate e reconstrução pós-desastre. “Claramente não é suficiente”, disse o ministro das finanças, Miftah Ismail, citado pela Reuters, sobre a ajuda até agora. “Apesar dos recursos escassos, o Paquistão terá que fazer grande parte do trabalho pesado”.

No Guardian, o senador paquistanês Mustafa Nawaz Khokar lamentou o impacto das intensas chuvas deste verão e expressou sua indignação com a falta de avanços dos países desenvolvidos em seus compromissos para reduzir as emissões de gases de efeito estufa causadores do aquecimento global e para apoiar financeiramente as nações em desenvolvimento que já sofrem com os efeitos da mudança do clima. “Para países como o Paquistão, que se enquadra na infeliz categoria de ‘mais vulneráveis às mudanças climáticas’, toda cúpula climática fracassada é má notícia. É frustrante para nós ver os países ricos barganharem uns com os outros para reduzir as emissões enquanto continuamos a pagar os custos em vidas e meios de subsistência com uma frequência muito maior do que antes”, escreveu.

A escala do desastre no Paquistão também chamou a atenção das organizações humanitárias, que mais uma vez foram surpreendidas. Mais do que a ajuda propriamente dita, o que preocupa é a falta de esforços preventivos e alertas que diminuíssem as perdas humanas das chuvas. Tempo não é exatamente o culpado aqui: como assinalou Zuha Siddiqui no site The New Humanitarian, o Paquistão viveu uma experiência parecida há 12 anos, quando as chuvas de monção causaram mais de 1,5 mil mortes e prejuízo de US$ 2 bilhões. De lá pra cá, sucessivos governos foram incapazes de preparar adequadamente os vilarejos e comunidades para evitar uma repetição do desastre.

Em tempo: Já no Sudão, as chuvas deixaram mais de 112 mortos nos últimos três meses. De acordo com a Associated Press, estimativas da ONU indicam que pelo menos 258 mil pessoas foram afetadas por inundações em 15 das 18 províncias do país. O cenário meteorológico é o exato oposto, mas os impactos humanos são parecidos na Somália, onde uma temporada excepcionalmente seca somada aos desbalanços no fornecimento internacional de alimentos pode colocar milhões de pessoas “à beira da fome”.

 

ClimaInfo, 6 de setembro de 2022.

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