
Representantes de mais de 170 países estão reunidos em Genebra, Suíça, para retomar as negociações para um tratado global contra a poluição plástica. Essa é a 2ª parte da 5ª reunião do Comitê Intergovernamental de Negociação sobre Plásticos (INC, na sigla em Inglês). A 1ª parte aconteceu em Busan, Coreia do Sul, em novembro de 2024 e fracassou devido aos interesses de empresas e petroestados em seguir aumentando a produção de plástico – que tem como matéria-prima o petróleo.
Entre as metas defendidas para o acordo está o corte da produção de plástico virgem, a eliminação gradual de itens descartáveis e tóxicos, a padronização global do design de produtos e meios para financiar a implantação do tratado, principalmente em países em desenvolvimento. Negociadores, lobistas, cientistas e sociedade civil têm até 14 de agosto para resolver esses pontos em aberto, contam CNN Brasil, Folha e g1.
Enquanto petroestados como Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Rússia apostam na narrativa falha da reciclagem, evidências mostram que há décadas a produção de plásticos cresce sem que a capacidade de reciclagem acompanhe, relata a Agência Pública.
Hoje são produzidos cerca de 430 milhões de toneladas/ano de plástico, dos quais dois terços têm vida curta, se tornam lixo e contaminam o ambiente e a saúde humana. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), apenas 9% do plástico produzido mundialmente é reciclado – e o valor cai para menos de 2% no Brasil.
A BBC lembra da quantificação do tamanho do impacto da poluição por plásticos no meio ambiente e na saúde feita no relatório Lancet Countdown. De acordo com o relatório, doenças e mortes relacionadas à crise do plástico chegam a pelo menos US$ 1,5 trilhão (R$ 8 trilhões) em danos anuais.
E, ainda assim, mais de 220 lobistas das indústrias fóssil e química estiveram presentes na última sessão de negociação do tratado, mostrou levantamento do Centro para Direito Ambiental Internacional (CIEL). Esse valor foi maior que o número de participantes da maior delegação, a União Europeia, que contou com 191 participantes.
Segundo O Eco, apesar da pressão da indústria química, o Brasil tem discurso favorável a metas ambiciosas nas negociações do Tratado. Esta opinião não é compartilhada por outros analistas, que classificam a atuação do Brasil nas negociações como neutra ou até contraditória. O país ainda não colocou na mesa um plano concreto para reduzir a produção de plásticos.
A retomada das negociações para o tratado global contra a poluição por plásticos também foi noticiada na Reuters, Associated Press, Deutsche Welle, Grist, Bloomberg, Greenpeace e Climate Change News.



