Preços-teto de leilão para termelétricas a combustíveis fósseis frustram empresas

Valores mexem especialmente com as pretensões da Eneva, que aposta no certame para recontratar usinas no Maranhão e viabilizar projeto em Sergipe.
10 de fevereiro de 2026
(Kim Seng via Flickr)

Os empreendedores de termelétricas movidas a gás fóssil e carvão estão em polvorosa. Tudo por conta dos preços-teto estabelecidos pelo Ministério de Minas e Energia para o leilão de reserva de capacidade (LRCAP) destinado a contratar usinas movidas a combustíveis fósseis e também hidrelétricas, marcado para o dia 18 de março.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) divulgou os valores sugeridos pelo MME para o certame: para os Produtos Potência Termelétrica 2026 e 2027, o Ministério estabeleceu um teto de R$ 1,12 milhão por megawatt-ano (MW-ano) para usinas existentes. Já para os Produtos Potência Termelétrica 2028, 2029, 2030 e 2031, o MME determinou o mesmo valor para plantas já instaladas e R$ 1,6 milhão por MW-ano para projetos novos. Cifras que as empresas consideram insuficientes para viabilizar a contratação da energia – segundo a Veja, é menos da metade do projetado pelos empreendedores.

Somados aos ajustes nas regras do leilão para aumentar a competitividade das térmicas a gás fóssil conectadas à malha de gasodutos, os preços teto mexem, em especial, com as pretensões da Eneva, uma das protagonistas da judicialização do LRCAP no ano passado, lembra a eixos. A empresa aposta no leilão para recontratar suas térmicas já instaladas na Bacia do Parnaíba, no Maranhão, que seguem o modelo de geração gas-to-wire (geração da eletricidade próxima do poço de gás), e para viabilizar a expansão da Celse, um novo projeto termelétrico a gás fóssil em Sergipe.

Com o valor para as térmicas a gás abaixo do esperado pelo mercado, as ações da Eneva caíram 17% na B3 na 3ª feira (10/2). Fontes disseram à Agência INFRA que o preço determinado pelo MME é menor do que o do leilão de potência de 2021, atualizado pela inflação.

Lobistas dos combustíveis fósseis defendem a contratação de termelétricas a gás e a carvão para garantir o abastecimento de eletricidade no país. No entanto, é uma energia que, além de ser mais suja devido às emissões da queima desses combustíveis fósseis, é muito mais cara do que a de fontes renováveis.

E, ao contrário do que esses mesmos lobistas pregam, a intermitência da geração eólica e solar não precisa de térmicas a gás e a carvão como “backup”. Como mostra o estudo “Vulnerabilidade do Setor Elétrico Brasileiro Frente à Crise Climática Global e propostas de Adaptação”, da Coalizão Energia Limpa, ajustes na operação do sistema elétrico podem tornar as hidrelétricas já instaladas em “backup”. Sem falar na implantação de novas rotas tecnológicas, como sistemas de armazenamento de eletricidade em baterias e em hidrelétricas reversíveis.

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