
Os desastres associados a eventos climáticos extremos atingiram mais de 336 mil pessoas diretamente no Brasil em 2025. Os prejuízos econômicos chegaram a R$ 3,9 bilhões. É o que mostra o relatório “Estado do Clima, Extremos de Clima e Desastres no Brasil”, do CEMADEN.
Segundo o levantamento, enchentes, deslizamentos, estiagens severas e tempestades deixaram consequências com impactos humanos, materiais e econômicos em praticamente todas as regiões do país no ano passado. Contudo, a maior concentração de impactos humanos ocorreu na Região Norte, onde mais de 202 mil pessoas foram diretamente atingidas, expondo a vulnerabilidade social diante das mudanças climáticas, destaca o Um só planeta.
Os dados do relatório baseiam-se em registros oficiais do Sistema Integrado de Informações sobre Desastres (S2ID). Entre os episódios mais graves relacionados a eventos extremos em 2025 estão: Ipatinga (MG), com o maior número de mortes (10) associadas a chuvas intensas; Manacapuru (AM), com o maior número de feridos e doentes, totalizando 5.202 pessoas após inundações; Beruri (AM), com 4.039 desabrigados; e Belém (PA), sede da COP30, que registrou o maior contingente de desalojados do país, com 10.012 pessoas obrigadas a deixar temporariamente suas casas.
Em relação a prejuízos financeiros, o Sul foi a região do país que mais sofreu com eventos climáticos extremos no ano passado, totalizando perdas de R$ 1,5 bilhão, informa a Tribuna do Sertão. Já o município de Belterra (PA) concentrou o maior prejuízo público devido a chuvas extremas, em março de 2025, destaca o Pará Terra Boa. “Apenas os custos relacionados à assistência médica, à saúde pública e ao atendimento de emergências médicas totalizaram aproximadamente R$ 356 milhões”, diz o relatório.
De acordo com o documento, as chuvas intensas continuam sendo o principal fator desencadeador de desastres no Brasil, especialmente em áreas urbanas ocupadas em encostas ou regiões suscetíveis a alagamentos – a tragédia climática em Juiz de Fora na semana passada é o exemplo mais recente. Eventos concentrados em poucas horas provocaram enchentes repentinas, interrupções de energia, destruição de infraestrutura e deslocamento populacional em cidades do Sudeste, Sul e Nordeste.
O país também enfrentou uma combinação crítica de estiagens prolongadas e ondas de calor em 2025. Oito estados chegaram a registrar seca em 100% do território; corredores de déficit hídrico se estenderam do Sudeste ao Norte; e cerca de 480 mil pessoas foram afetadas apenas pela estiagem no Amazonas, segundo estimativas citadas no relatório.
O CEMADEN destaca que o padrão observado não representa ocorrências isoladas, mas sim um comportamento recorrente de danos humanos e econômicos associados ao aumento dos eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas. A publicação lembra que no ano passado a temperatura média global atingiu 14,97°C – 0,01°C abaixo da registrada em 2023 e 0,13°C abaixo de 2024, o ano mais quente da série histórica, detalha a Rádio Itatiaia.
“As altas temperaturas globais, juntamente com os níveis recordes de vapor d’água na atmosfera em 2025, desencadearam ondas de calor sem precedentes, secas, incêndios e chuvas intensas, causando impactos significativos e miséria a milhões de pessoas”, frisa o relatório.



