Estudo brasileiro alerta para aceleração do degelo das calotas polares

Segundo a análise, 9.179 gigatoneladas de gelo derreteram desde 1976; 98% dessas a partir de 1990, sendo que 41% desse total sumiu entre 2015 e 2024.
4 de março de 2026
degelo
Aline Martinez/Divulgação

Sinal vermelho para as calotas polares. O estudo Planeta em Degelo, elaborado com base em dados inéditos do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR), alerta para a aceleração do derretimento, que soma 9.179 gigatoneladas (Gt) desde 1976 e ameaça principalmente as cidades costeiras.

Segundo o estudo, 98% deste montante chegou aos oceanos em estado líquido desde 1990, dos quais 41% somente entre 2015 e 2024. Cada gigatonelada corresponde a 1 bilhão de toneladas. 

A maior parte do volume derretido saiu da Antártica e da Groenlândia, regiões onde a perda chega a 8 mil gigatoneladas desde 2002, informa a Isto É Dinheiro.

A aceleração do degelo está diretamente relacionada aos recordes de temperatura de 2023, 2024 e 2025. Em entrevista à Agência Brasil, o biólogo e pesquisador do PROANTAR, Ronaldo Christofoletti, explicou que chuva extrema, calor extremo, queimadas mais frequentes e extensas e degelo acelerado são todos “sintomas” do aquecimento global.

Outro impacto do degelo das calotas polares é a redução localizada da salinidade dos oceanos. Ela causa o enfraquecimento das correntes marítimas que levam água fria da Antártica para a região tropical e tem impacto no clima de todo o planeta.

E mesmo distante das regiões polares, o Brasil também é afetado. Alterações na circulação oceânica antártica podem influenciar a formação de massas d’água profundas que distribuem calor pelo planeta, afetando padrões de chuva, frentes frias e eventos extremos.

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