#ClimaInfo, 26 de setembro de 2017

ClimaInfo mudanças climáticas

TEMER REVOGA O DECRETO QUE EXTINGUIA A RENCA

Sai nesta 3a feira no Diário Oficial da União a revogação do decreto que extinguia a Renca. Diante da ameaça da convocação de uma CPMI, Temer, profundo conhecedor do Congresso, deve ter calculado quão salgado seria o custo de abafar mais este tumulto.

http://sustentabilidade.estadao.com.br/noticias/geral,temer-recua-e-vai-revogar-decreto-que-extinguir-reserva-nacional-de-cobre,70002015457

https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2017/09/25/governo-federal-decide-revogar-decreto-que-extingue-renca.htm

http://m.folha.uol.com.br/ambiente/2017/09/1921732-voltar-atras-no-caso-da-renca-nao-salva-governo-de-novos-desgastes.shtml

AS IDAS E VINDAS NO HORÁRIO DE VERÃO

A marca do governo Temer parece ser dizer e desdizer. Ontem o presidente decidiu que haverá horário de verão em vários estados brasileiros a partir do dia 15 de outubro. Faz duas semanas que dizem e desdizem e dizem novamente que farão uma consulta pública sobre o assunto. Se, frente às alterações na curva de carga do sistema elétrico, o horário de verão ainda economiza energia do sistema, como era fato quando foi estabelecido, ninguém veio a público dizer. Agora é esperar até o dia 15 para ver e crer.

https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/09/25/governo-decide-manter-horario-de-verao-em-2017.htm

81% DOS MUNICÍPIOS BRASILEIROS DESPEJAM ESGOTO NOS RIOS

A ANA (Agência Nacional das Águas) publicou o Atlas Esgotos – Despoluição de Bacias Hidrográficas, um tremendo e triste catatau de quase cem páginas, no qual cada frase vale uma manchete: 81% dos municípios despejam pelo menos metade do seu esgoto diretamente nos rios; menos de 40% da carga orgânica dos esgotos é tratada; quase metade da população não está ligada a uma rede de esgoto moderna; e pouco menos de um terço da população não está ligado a coisa alguma. Para ligar essa gente toda a um sistema decente, a ANA estima que seria necessário investir R$ 150 bilhões nos próximos 18 anos. O relatório fez-nos lembrar a frase dita por um político durante a crise de abastecimento de água em São Paulo: “cano enterrado não aparece e não dá voto”.

http://arquivos.ana.gov.br/imprensa/publicacoes/ATLASeESGOTOSDespoluicaodeBaciasHidrograficas-ResumoExecutivo_livro.pdf

http://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2017-09/no-brasil-45-da-populacao-ainda-nao-tem-acesso-servico-adequado-de-esgoto

http://www.bbc.com/portuguese/brasil-41369116

BRASIL PRECISA UTILIZAR MELHOR AS ÁREAS DE PASTAGEM E DIVERSIFICAR O TRANSPORTE

O Grupo de Trabalho de Logística de Baixo Carbono da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura publicou um artigo apontando que, segundo a FAO, a demanda mundial de alimentos precisa aumentar 60% até 2050. O Brasil tem que enfrentar o desafio de resolver o escoamento da produção agropecuária, reduzindo drasticamente as perdas e, até mais importante, reduzindo a pegada de carbono do transporte. O Grupo examina a baixa produtividade de uma quantidade imensa de áreas de pastagem, muito das quais poderia ser aproveitado para plantar mais comida. Para enfrentar as perdas, seria preciso incrementar o sistema de logística, construindo mais estradas, ferrovias, hidrovias, além de implantar muita inteligência, para também reduzir a pressão pela abertura de novas áreas, hoje cobertas por florestas tropicais. Nas palavras do Grupo: “o objetivo principal do GT é promover a logística de baixo carbono com base em critérios ambientais, sociais e econômicos, por meio da produção de conhecimento, articulação política e formulação de propostas para incorporação no Plano Nacional de Logística Integrada (PNLI), nos Planos Decenais e de Longo Prazo de Energia (PNE e PDE) e, consequentemente, na meta climática (NDC) do Brasil”.

http://www.huffpostbrasil.com/coalizao-brasil-clima-florestas-e-agricultura/logistica-de-baixo-carbono-e-uma-solucao-inteligente-para-a-agri_a_22077450/

MAIS DA METADE DO CERRADO NATIVO JÁ SE FOI

Ontem a jornalista Amelia Gonzalez publicou no O Globo uma matéria sobre a campanha “Sem Cerrado, Sem Água, Sem Vida”, organizada por 40 entidades da sociedade civil brasileira. Estas lembram que 52% da vegetação nativa do Cerrado já foi desmatada e que isto, além de destruir parte da riquíssima biodiversidade do bioma, coloca em risco três importantes aquíferos que abastecem o Brasil e alguns dos países vizinhos: o Guarani, o Bambuí e o Urucuia. As organizações propõem estender as moratórias da soja e da carne de modo a abarcar também o Cerrado, além da Amazônia.

http://g1.globo.com/natureza/blog/nova-etica-social/post/campanha-quer-por-holofotes-sobre-o-cerrado-que-ja-tem-mais-da-metade-de-seu-territorio-destruido.html

http://semcerrado.org.br/

A CONTA MONSTRUOSA DEIXADA PELO FURACÃO MARIA EM PORTO RICO

O furacão Maria amainou da categoria 5 para a 3 quando passou por cima de Porto Rico. Mesmo assim, o estrago foi imenso e a ilha ainda está em choque. Contam-se dez mortes, nove municípios incomunicáveis, o sistema elétrico no chão e uma conta de bilhões de dólares. Mesmo depois da passagem do furacão, milhares de pessoas tiveram que sair de suas casas inundadas porque a represa de Guajataca, no noroeste da ilha, rachou e ameaçava ruir. Já se fazem cálculos políticos sobre o peso que a comunidade porto-riquenha nos EUA, concentrada na Flórida, deve exercer sobre os políticos para que sejam liberados fundos de desastre para a recuperação da ilha.

https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/24/internacional/1506277484_821911.html

O QUE OS VERDES PODEM ESPERAR DE UM NOVO GABINETE MERKEL

Merkel e seus Democratas Cristãos ganharam a eleição de domingo com a menor margem de votos desde 1949. Como o partido Social Democrata vestiu a camisa da oposição, Merkel vai tentar costurar um monstrinho se aliando aos Verdes, de um lado, e aos liberais Democratas Livres, do outro. Uma figura geométrica que só existe na política parlamentarista. Dado que os Verdes brigam ferozmente contra usinas a carvão, o valor das ações da RWE despencou 4% na Bolsa de Frankfurt. A RWE é uma das maiores elétricas alemãs e metade da eletricidade que vende vem de usinas a carvão.

https://www.ft.com/content/704673d9-bf03-3793-8950-0a4f7f4c960e

O WRI CONTA DO BOM, DO MAU E DO QUE É URGENTE

O World Resource Institute publicou um relatório sobre a ação climática dos bancos de desenvolvimento multilaterais (MDB), falando do bom, do mau e do que é mais urgente. Do lado do bem, o trabalho aponta que os compromissos assumidos pelos 6 MDB somaram US$ 27,4 bilhões em 2016, contra os US$ 25 bilhões de 2015; que o dinheiro para adaptação aumentou 24% em relação ao ano anterior; e que as operações voltadas para o clima cresceram mais do que a média das outras operações.

Do lado do mau, se na média houve crescimento, alguns destes bancos não foram tão bem e, pior, em relação a metas acordadas, estão ficando para trás, como é o caso do AIDB (Asia-Pacific Institute for Broadcasting Development) e o EBRD (European Bank for Reconstruction and Development). Mais, se em 2015, cada dólar de um MDB puxava US$ 2,20 de co-financiamento de outros atores, incluindo o setor privado, no ano passado atraiu apenas US$ 1,40, ou seja, no total, o volume de recursos para o clima, diminuiu. E, não menos pior, as operações de equity e de garantias receberam, juntas, menos de 5% dos recursos. Estas operações são importantes porque as garantias oferecem aos bancos uma maneira mais eficiente de usar seus recursos para apoio de projetos climáticos, enquanto as operações de equity são ferramentas mais importantes para limitar os riscos que os simples empréstimos.

O relatório diz que o mais urgente não é revelado: o que os MDB estão fazendo com os restantes US$ 113 bilhões do seu portfólio. Enquanto revelam ter colocado US$ 27 bilhões em ações pró-clima, foram colocados US$ 113 bilhões em outras ações. E não há como saber se esta montanha de dinheiro está alinhada ou não com as metas de Paris. Também não é possível saber o quanto dos US$ 27 bilhões estão atrelados a taxas de juros abaixo do mercado, o que seria fundamental para a eficácia climática do seu emprego. Por fim, 2020 – a data de entrada em vigor dos compromissos do Acordo de Paris – é amanhã e falta um monte para ser feito.

http://www.wri.org/blog/2017/09/mdb-climate-finance-good-bad-and-urgent

O ÁRTICO CONTINUA DERRETENDO ABAIXO DA MÉDIA HISTÓRICA

No final do verão deste ano no hemisfério norte, no momento de mínima cobertura de gelo sobre o oceano Ártico, a capa de gelo se estendia sobre uma área de 1,5 milhões de km2, a oitava menor dos registros. Nem mesmo um ano sem El Niño conseguiu reduzir a perda de cobertura de gelo. Cientistas dizem que a perda de gelo não será constante. Acontecerão cada vez menos momentos de alta cobertura e cada vez mais momentos de baixa. A própria referência à ‘média histórica’ vai, aos poucos, perdendo o sentido.

https://www.theguardian.com/environment/2017/sep/20/melting-arctic-ice-cap-falls-to-well-below-average

UMA SUPER-MALÁRIA SE ESPALHA NO SUDESTE ASIÁTICO

Uma nova variante do vírus da malária se mostrou resistente ao medicamento mais utilizado para enfrentar a doença, a artemisinina. O vírus apareceu pela primeira vez no Camboja e já se propagou pela Tailândia, por Laos e Vietnã. Os médicos estão reportando “uma taxa alarmante de insucesso” dos tratamentos comuns. O Prof. Arjen Dondorp, chefe da unidade de malária do Mahidol-Oxford Tropical Medicine Research Unit, de Bangkok, disse que “é uma corrida contra o relógio – é preciso eliminá-la antes que a malária se torne intratável outra vez e voltarmos a ter muitas mortes”. O maior risco é o vírus ir parar na África, onde as defesas são ainda menores.

http://www.bbc.com/news/health-41351160

PARA LER:

Hoje, excepcionalmente, para uma terça-feira, queremos indicar a leitura de uma matéria especial que Daniela Chiaretti, jornalista do Valor Econômico, fez sobre o Xingu, sua história e as histórias de seus povos. O material está repleto de fotos belíssimas. Não perca:  http://www.valor.com.br/especial/xingu

 

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