ClimaInfo, 3 de outubro de 2018

ClimaInfo mudanças climáticas

BANCADA RURALISTA SE JUNTA A BOLSONARO

A Frente Parlamentar do Agronegócio, aka bancada ruralista, declarou seu apoio ao ex-capitão. A FPA é composta de políticos de quase todos os partidos como, por exemplo, o PSDB e o MDB, que têm candidatos próprios em campanha. Com o movimento, a FPA rifou seus candidatos ainda antes do 1o turno. Onyx Lorenzoni, deputado federal e coordenador político de Bolsonaro, disse que “a esmagadora maioria da FPA está apoiando Jair Bolsonaro. São mais de 200 congressistas. Temos ainda uma outra lista de 140 deputados cujos nomes só podem ser divulgados, pelo compromisso que firmamos, após a eleição. Temos também muito suporte dos congressistas evangélicos. Creio que com esses apoios já tenhamos hoje maioria constitucional de 308 votos na Câmara”.

Esse pessoal com a chave do tesouro nacional e a caneta para reescrever a Constituição acena com tragédias impublicáveis.

https://www.poder360.com.br/eleicoes/bolsonaro-recebe-apoio-de-mais-de-200-congressistas-ligados-a-agropecuaria/

 

O DESMATAMENTO NA REGIÃO DO MADEIRA-PURUS

O desmatamento ao longo da BR-319 – estrada que liga Manaus a Porto Velho e que atravessa a região margeada pelos rios Madeira e Purus – foi documentado por Gustavo Faleiros e Marcio Isensee e Sá para uma série de artigos na Mongabay. A motivação é checar como está a região, agora que aumentam as pressões e a movimentação para asfaltar a estrada, o que atrai gente de fora para a extração de madeira, a criação de gado e a grilagem de terras públicas. A primeira matéria da série é sobre Realidade, pequena localidade a 100 km de Humaitá, e que não está à beira da estrada. Em 2015, ali estavam instaladas pelo menos 7 serrarias.
Analistas entendem que a imensa região do Madeira-Purus deva ser preservada.
No link desta nota, a primeira matéria e o primeiro vídeo.
https://news.mongabay.com/2018/10/purus-madeira-journey-to-the-amazons-newest-deforestation-frontier/

 

CAMPANHA ANTIFRACKING EM UBATUBA, LITORAL DE SÃO PAULO

O pessoal da campanha antifracking visitou a Câmara Municipal de  Ubatuba para apresentar um plano para a criação de uma legislação proibindo a emissão de qualquer tipo de autorização de competência do município para atividades que visem a prospecção e/ou a exploração de fósseis usando o fracking. O presidente da Câmara, Silvinho Brandão disse que “a questão do meio ambiente sempre é importante para a nossa cidade. É um compromisso meu e de todos nós que vivemos nesse paraíso. É muito pertinente focar na prevenção do problema. Por isso, queremos trabalhar com um planejamento ambiental mais consistente”.

http://camaraubatuba.sp.gov.br/site/noticias/especialistas-apresentam-projeto-ambiental-ao-presidente-da-camara-de-ubatuba/

 

RENOVÁVEIS CRESCEM E PODEM PERDER SUBSÍDIOS E O CASO DE PORTO DE MOZ

O Brasil entrou para a lista dos dez países que mais instalam capacidade fotovoltaica. Só no ano passado foram 1,1 GW. As projeções indicam que, em 2040, a energia solar fotovoltaica poderá ser responsável por ⅓ da eletricidade gerada por aqui. Um dos motivos para este otimismo é que começam a aparecer os sistemas conjugados com baterias para cobrir pelo menos parte do período sem insolação.

Mas a Aneel está preparando uma redução – ou eliminação – dos subsídios para as renováveis. Hoje, a solar, a eólica e as pequenas centrais hidrelétricas têm isenção na tarifa de transmissão. O presidente da Aneel quer retirar estas isenções alegando não ser possível dar tratamento diferenciado à distintas fontes de energia. Esta eventual medida claramente privilegiaria as térmicas a gás. É verdade que vários países estão planejando retirar os subsídios às renováveis, mas, de modo gradual, sempre olhando para a competitividade entre as fontes.

Hoje, existem quase 40.000 pequenos sistemas fotovoltaicos registrados na Aneel, com uma capacidade de 400 MWp. São classificados como sistemas de Geração Distribuída e estão conectadas ao Sistema Nacional. Minas Gerais, com 7.700 instalações, e São Paulo, com 7.500, lideram a quantidade de sistemas e, juntos, têm 36% da capacidade instalada.
Entre os sistemas solares não conectados à rede nacional, chama a atenção o caso de Porto de Moz, no oeste do Pará. Na Reserva Extrativista Verde para Sempre, as famílias receberam, por meio do programa Luz Para Todos, energia solar fotovoltaica e iluminação. A responsável pela instalação, a Órigo Energia, diz que é a maior do país em quantidade de pessoas beneficiadas. O sistema tem mais de 2.100 instalações com aproximadamente 3.200 kWp de capacidade. Cada casa tem um  painel próprio, não existe rede interligando as casas e o sistema não está ligado à rede nacional. As instalações começaram a funcionar este ano.

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/09/brasil-ja-esta-entre-os-dez-maiores-geradores-de-energia-fotovoltaica.shtml

https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2018/09/armazenamento-de-energia-promete-revolucao-no-setor-eletrico.shtml

https://www.canalenergia.com.br/noticias/53076460/mudanca-nas-regras-de-gd-pode-inviabilizar-investimentos-alerta-axis

http://www2.aneel.gov.br/scg/gd/VerGD.asp

http://www.gazetadesantarem.com.br/regional/implantacao-de-energia-solar-atende-2-250-familias-em-porto-de-moz/

 

SÃO PAULO COBRA PLANO DE LOGÍSTICA REVERSA DE EMPRESAS

A Política Nacional de Resíduos sólidos prevê que as empresas têm que ter um plano de logística reversa para seus produtos. A Política foi promulgada em 2010 e uma série de dispositivos ficaram para ser regulamentados pelos estados. Em São Paulo, essa parte só foi regulamentada em 2015, quando foram detalhados os setores que deveriam implantar seu sistema de logística reversa vinculado ao processo de licenciamento ambiental. As empresas precisam apresentar à Cetesb o plano, com informações detalhadas de como providenciarão a coleta do lixo resultante de seus produtos e embalagens, e como darão a destinação correta a este material. Tudo isso começou a valer desde ontem. Posto que a lei existe faz tempo, não há como alegar que não deu tempo para ter um plano pronto.

Por falar em resíduos, nas últimas duas semanas, saíram várias matérias sobre o problema do lixo nos países em desenvolvimento, dentre elas um programa novo do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento) e análises do Banco Mundial.

https://www.valor.com.br/empresas/5897521/sp-pode-punir-fabricante-sem-logistica-reversa

https://newtelegraphonline.com/2018/10/fcta-un-habitats-partner-on-urbanization-initiatives/

https://www.worldbank.org/en/news/immersive-story/2018/09/20/what-a-waste-an-updated-look-into-the-future-of-solid-waste-management

https://edition.mv/news/7356

 

O QUE GANHAREMOS (OU DEIXAREMOS DE PERDER) SE LIMITARMOS O AQUECIMENTO GLOBAL EM 1,5oC?

Nos últimos três anos, os cientistas do clima mudaram o que acreditam ser um ‘limite seguro’ para a mudança climática, diz um comentário da BBC sobre a reunião do IPCC que acontece nesta semana na Coreia do Sul: “os cientistas agora argumentam que limitar este aquecimento em 1,5oC é muito mais seguro para o mundo do que se deixarmos o aquecimento chegar a 2oC”. A BBC diz também que todos os cientistas concordam que manter o aquecimento abaixo de 1,5oC não será fácil.

Para exemplificar o que podem ser as diferenças entre 1,5oC e 2oC de aquecimento, um estudo publicado nos PNAS diz que as perdas econômicas geradas pelas secas na China podem dobrar com este meio grau de aquecimento extra. As perdas econômicas no cenário 1,5oC já seriam 10 vezes maiores do que as ocorridas entre 1986 e 2005. Mesmo assim, limitar o aumento de temperatura em 1,5oC pode reduzir as perdas anuais com as secas na China em várias dezenas de bilhões de dólares.

https://www.bbc.com/news/science-environment-45678338

http://www.pnas.org/content/early/2018/09/25/1802129115

 

CAMPANHA ‘STAY GROUNDED’ QUER REDUZIR VIAGENS AÉREAS

Na 2a feira, foi lançada oficialmente uma rede mundial de organizações e grupos ativistas em luta para reduzir a expansão descontrolada da aviação, setor que é responsável por mais de 2% das emissões globais. Mais de 100 organizações assinaram um position paper com 13 etapas na direção de um sistema de transporte mais justo e sustentável tanto socialmente quanto ambientalmente. Nas próximas duas semanas, a rede organizará uma série de protestos na Europa e no México. Os protestos serão dirigidos contra as estratégias de greenwashing do setor, como a compensação das emissões com créditos de carbono, e buscarão dar um sinal de alerta para os impactos da enorme quantidade de mega-aeroportos que estão sendo construídos em todo o mundo.

Stay grounded tem o duplo sentido de permanecer em terra e manter a cabeça no lugar.

https://stay-grounded.org/position-paper/

 

ARÁBIA SAUDITA ENGAVETA PROJETO DE MEGAUSINA SOLAR

A Arábia Saudita e seu parceiro SoftBank anunciaram que darão um tempo na propalada megausina fotovoltaica projetada para o país. A usina teria a capacidade de 200 GW e, quando pronta em 2030, geraria três vezes mais do que a demanda do país. Acoplado ao projeto estava outro, o de uma linha de transmissão capaz de escoar a energia excedente para a Europa. O preço estava estimado em US$ 200 bilhões. Segundo um consultor do governo saudita, a parte fácil foi anunciar o projeto para o mundo, “mas difícil passar para a execução” e complementou informando que, a rigor, ninguém estava trabalhando a sério no projeto.

https://www.dw.com/en/saudi-arabia-puts-worlds-biggest-solar-power-project-on-hold/a-45706685

 

EUROPEUS QUEREM QUE SEUS PRÓXIMOS CARROS SEJAM ELÉTRICOS

Em uma pesquisa que acaba de sair sobre os europeus e os carros, 40% dos pesquisados acham que seu próximo carro será elétrico. Foram entrevistadas 4.500 pessoas nas Bélgica, França, Alemanha, Hungria, Itália, Polônia, Espanha, Suécia e no Reino Unido. 7% disseram que é muito provável que seu próximo carro, comprado ou em leasing, será elétrico. Outros 33% disseram que provavelmente fariam o mesmo. Isso indica que o potencial de mercado está crescendo mais do que o previsto pela indústria. Mais de 60% dos entrevistados disseram que gostariam que a indústria promovesse mais os elétricos e explicasse melhor suas vantagens. O maior obstáculo foi, claro, o preço, ainda considerado muito alto.

Ao mesmo tempo, a montadora japonesa Mazda anunciou planos para 2030, quando só produzirá carros elétricos puros e híbridos. Seu primeiro elétrico puro será lançado em 2020.

Por aqui, a novidade é que a Nissan trará o Leaf no ano que vem. O Leaf é o elétrico puro mais vendido no mundo, com mais de 300 mil unidades rodando lá fora.

https://www.businessgreen.com/bg/news/3063692/forty-per-cent-of-europeans-say-their-next-car-likely-to-be-electric

https://www.reuters.com/article/us-mazda-tech/mazda-aims-for-all-of-its-vehicles-to-be-electric-hybrid-evs-by-2030-idUSKCN1MC0DU

https://jornaldocarro.estadao.com.br/carros/nissan-leaf-vendido-no-brasil-2019/

https://revistaautoesporte.globo.com/testes/noticia/2018/09/teste-nissan-leaf-e-bom-de-dirigir-mas-tem-menos-autonomia-que-seus-rivais.html

 

UMA “BATERIA” DE 830 MW NUMA ESTONTEANTE PAISAGEM ALPINA

A “bateria” é o assunto de uma matéria na Bloomberg com fotos lindas dos Alpes austríacos. A hidrelétrica de Kaprun tem capacidade de 830 MW, mas vem funcionando como uma bateria. Uma série de túneis e dutos levam a água de um lago formado por geleiras para um segundo lago, mas embaixo. No meio, uma primeira hidrelétrica. Entre o segundo lago e o rio no fundo de um vale, a segunda hidrelétrica. Nos últimos tempos, com a entrada das eólicas e fotovoltaicas gerando energia bem barata, Kaprun deixou de gerar e passou a bombear água do segundo lago para o primeiro. Quando a demanda do sistema aumenta e as renováveis deixam de dar conta, a água volta a descer até o fundo do vale. Um ponto muito importante para o sistema elétrico é que o acionamento das turbinas é muito rápido. A novidade em relação ao projeto inicial é que, agora, com os sistemas altamente informatizados gerenciando a operação, a entrada em operação da usina acontece em função da previsão da demanda no instante seguinte.

A mensagem importante é que reservatórios de água podem ser a “bateria” mais barata, e terem uma capacidade imensa já pronta. É um outro jeito de olhar para um sistema hidrelétrico como o nosso. A crise hídrica pela qual o país atravessa, está forçando o Operador do Sistema a guardar água até que volte a chover. Pena que, por enquanto, ele precise ligar as térmicas fósseis no lugar.

https://www.bloomberg.com/features/2018-kaprun-hydroelectric-station-battery/

 

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