Governo Bolsonaro despreza lições já aprendidas na luta contra o desmatamento da Amazônia

desmatamento Amazônia

Enquanto o governo Bolsonaro demoniza qualquer cobrança sobre o desmatamento crescente na Amazônia como “interferência” sobre a soberania nacional, o Brasil perde a oportunidade de converter esse “interesse difuso” do resto do mundo na floresta em recursos financeiros para protegê-la. O alerta é do ex-ministro José Goldemberg, uma das maiores autoridades científicas e políticas em meio ambiente do país, feito em artigo bastante pertinente publicado ontem (16/6) no Estadão.

Para Goldemberg, o Brasil não pode desperdiçar lições e experiências do passado no combate ao desmatamento na Amazônia. Uma lição importante que parece ter escapado à atual gestão é a importância da presença do Estado na floresta. “A experiência mostra que a presença do poder público pode levar rapidamente a uma redução dramática dessas atividades: o desmatamento caiu radicalmente no governo Collor, em 1991, de mais de 15 mil quilômetros quadrados por ano para cerca de 5 mil no período de 2004 a 2012”, ressalta. “Esses sucessos podem ser repetidos equipando melhor o Ibama e usando as Forças Armadas para apoiá-lo nessa missão, preservando as atividades produtivas legais”.

Na mesma linha, a também ex-ministra Izabella Teixeira afirma que a destruição da floresta amazônica não interessa a nenhum ator legítimo, apenas ao crime organizado que está por trás do desmatamento e da grilagem de terras. Em entrevista à Folha, Izabella ressalta que, além de não auferir qualquer vantagem econômica com a destruição florestal, o país perde espaço político e econômico no exterior. “O Brasil era um país que entrava criando convergência; hoje, entra feito porco-espinho. Quando a gente entra, todo mundo sai da sala”, diz a ex-ministra.

 

ClimaInfo, 17 de junho de 2020.

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