
A cobertura de energia elétrica em todo o mundo passou de 84% em 2010 para 91,7% em 2023. No entanto, ainda há no planeta cerca de 666 milhões de pessoas sem acesso à eletricidade, das quais 5 milhões nos nove países da Pan-Amazônia.
Os dados fazem parte do estudo “Políticas públicas e experiências de acesso à energia: da agenda internacional às soluções comunitárias na Pan-Amazônia”, elaborado pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema). O levantamento analisou as iniciativas de políticas públicas globais para acesso à energia elétrica, principalmente em países em desenvolvimento, para identificar os desafios e as oportunidades para ampliar o acesso à eletricidade renovável em comunidades indígenas, quilombolas, ribeirinhas e extrativistas da região amazônica.
O documento se baseia em ampla pesquisa bibliográfica e na análise de artigos, trazendo uma sistematização de experiências em seis países da Pan-Amazônia – Brasil, Peru, Colômbia, Bolívia, Suriname e Equador -, que beneficiaram 223 comunidades e mais de 70 mil pessoas, direta e indiretamente, detalha o Projeto Colabora. O estudo reúne iniciativas de políticas públicas e casos apoiados pela Charles Stewart Mott Foundation ao longo da última década.
Os resultados apontam ganhos sociais relevantes. Em alguns Territórios Indígenas, houve redução de até 50 horas semanais de trabalho manual. Em atividades produtivas, a renda familiar registrou aumento médio mensal de US$ 361 (R$ 1.815). Do ponto de vista ambiental, os projetos contribuíram para reduzir o uso de combustíveis fósseis: 99,7% das comunidades diminuíram o consumo de diesel, e 32% deixaram de utilizá-lo completamente.
No Brasil, um outro estudo do Iema, em parceria com a rede Uma Concertação pela Amazônia, mostrou que cerca de 3 milhões de moradores da Amazônia Legal ainda dependem de sistemas isolados (sem conexão com a rede elétrica básica do país), movidos principalmente a combustíveis fósseis, como diesel e gás, destaca o Portal Amazônia. São fontes que, além de poluentes, são mais caras que as alternativas renováveis. Sem falar nas restrições de abastecimento desses combustíveis quando há secas ou grandes inundações, o que deixa esses locais às escuras.
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o acesso à energia elétrica atingiu a marca histórica de 99,8% dos domicílios brasileiros. Mas a oferta de eletricidade renovável e segura na Amazônia continua sendo um desafio.
“Mesmo com quase universalização formal, o país ainda convive com uma exclusão invisibilizada, concentrada em territórios onde o acesso à energia depende menos de infraestrutura convencional e mais de soluções descentralizadas e políticas específicas”, reforça Vinicius Oliveira, pesquisador do Iema e um dos autores do estudo.



