Agronegócio brasileiro usa volumes recordes de água para gado e soja

Consumo da pecuária é maior do que o utilizado pelas populações de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná e do Distrito Federal somadas.
3 de fevereiro de 2026
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Domínio público

Uma análise da Trase, iniciativa que rastreia cadeiras produtivas, concluiu que o agronegócio brasileiro usa uma parcela significativa de água para produzir carne e soja. São volumes que superam o consumo do líquido em vários estados, inclusive daqueles com as maiores populações do país.

Somente a pecuária usa de 10,1 bilhões a 10,4 bilhões de metros cúbicos (m³) ao ano. O volume, que vem de rios e aquíferos, é superior ao consumo de água de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia e Paraná e do Distrito Federal somados, que é de 7,8 bilhões de m³, conta a Folha. Já a soja consome incríveis 188 bilhões a 206 bilhões de m³ de água anualmente – sete vezes a capacidade do reservatório da hidrelétrica de Itaipu, a maior usina da América do Sul, de cerca de 29 bilhões de m³.

Utilizando dados do MapBiomas e da Agência Nacional de Águas e Saneamento (ANA), os pesquisadores descobriram que os principais frigoríficos do país – JBS, Minerva, Marfrig e Mataboi Alimentos – dependem principalmente das bacias do Paraná (28%), de Tocantins-Araguaia (26%) e a Amazônica (23%). Outras bacias somam os 23% restantes.

Como Brasil 247 e Folha MS explicam, a maior parte da água utilizada pela pecuária fica em pequenos reservatórios para que o gado mate sua sede, mas cerca de dois terços do líquido evaporam. Ou seja, uma grande quantidade de água deixa de ser usada para outros fins, como consumo doméstico ou industrial e produção de energia, e mesmo para abastecer ecossistemas.

Quanto à soja, os cinco maiores comerciantes do grão do Brasil – Bunge, ADM, Cargill, Louis Dreyfus e Cofco – dependem principalmente da bacia do São Francisco.

O estudo assinala como as cadeiras produtivas da pecuária e da soja, concentradas na Amazônia e no Cerrado, estão suscetíveis à escassez hídrica, aponta o Bahia Notícias – fenômeno que deve se ampliar com o agravamento das mudanças climáticas e o avanço do desmatamento.

“Exportadores, governos e financiadores têm um papel a desempenhar. Desde o estabelecimento de metas para o uso da água na cadeia de suprimentos e a melhoria dos relatórios até o alinhamento de políticas de crédito com o uso sustentável da água, a ação coordenada pode reduzir os riscos”, diz o documento.

Os pesquisadores também recomendam a expansão da transparência da cadeia de suprimentos para questões ambientais além do desmatamento, incorporando indicadores de uso da água para um comércio mais sustentável.

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