Petrobras aumenta querosene de aviação e governo tenta impedir alta das passagens aéreas

Reajustes variam entre 53% e 56% em todas as modalidades de venda e bases da Petrobras, que anunciou um mecanismo para suavizar a alta.
1 de abril de 2026
Petrobras plano ambiental destravar licenciamento foz Amazonas
Bruno Covas/Flickr

A Petrobras confirmou na 4ª feira (1º/4) reajustes de mais de 50% nos preços do querosene de aviação (QAV), repassando a escalada das cotações internacionais do combustível com a guerra no Oriente Médio. A estatal, porém, anunciou um plano de parcelamento do reajuste para reduzir o impacto sobre o setor. Em paralelo, o governo federal prepara medidas para amenizar os efeitos da alta e impedir ou minimizar seu repasse às passagens aéreas, algo que pode aumentar a inflação.

Os reajustes do QAV variam entre 53% e 56% em todas as modalidades de venda e nas bases da Petrobras, informa o g1. Mas a empresa abriu um prazo para que companhias aéreas possam aderir a um programa de parcelamento do reajuste. Segundo a Folha, as empresas interessadas podem ter reajuste de 18% em abril e parcelar o restante em seis meses, com a primeira parcela a partir de julho.

Diferentemente de combustíveis automotivos como gasolina e o diesel, o QAV é reajustado uma vez por mês, seguindo uma fórmula que acompanha a variação das cotações internacionais do petróleo. É mais difícil, portanto, que a diretoria da Petrobras justifique um represamento de preços. O produto representa cerca de 30% dos custos das companhias aéreas, segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear). Portanto, tem forte impacto no preço das passagens – e de quebra, na inflação.

A percepção de que o reajuste do QAV viria acima dos 50% preocupava o setor e levou o Ministério de Minas e Energia (MME) a pedir ao Ministério da Fazenda a redução de alíquotas de impostos federais sobre o produto. O MME propôs reduzir as alíquotas de PIS e COFINS, informa a Folha, como foi feito com o óleo diesel, também por causa da disparada dos preços com a guerra.

Nessa linha, o novo ministro de Portos e Aeroportos, Tomé França, disse que o governo anunciará nos próximos dias um pacote de medidas para aliviar o aumento do custo do QAV para as aéreas, de acordo com O Globo. Entre elas estão a prorrogação do pagamento de tarifas, linha de financiamento e isenções tributárias.

Os preços globais do combustível de aviação mais que dobraram desde o início da guerra no Oriente Médio, segundo dados da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata). O Monitor de Preços de Combustível de Aviação da Iata, referente à semana que terminou em 27 de março, mostra que os preços médios mundiais do QAV estão agora 104% acima do valor do mês anterior, com uma média de US$ 4,65 (R$ 24) por galão em todo o mundo, relata a CNN Brasil.

Poder 360, UOL, InfoMoney, Metrópoles, IstoÉ Dinheiro, Estadão, O Globo e Brasil 247 também noticiaram o reajuste do QAV promovido pela Petrobras.

  • Em tempo: Acelerar a transição energética? Não a Petrobras, que quer mais combustíveis fósseis. Em participação no CNN Talks, a presidente da estatal, Magda Chambriard, disse que a companhia está avaliando alcançar a autossuficiência em óleo diesel em cinco anos, informa o Valor. Para isso, Magda afirmou que a companhia planeja ampliar a capacidade das refinarias, com destaque para a Rnest, em Pernambuco, e Reduc, no Rio de Janeiro.

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