Governos da Ásia e Oceania gastam bilhões de dólares para conter choque do petróleo

Refinarias europeias e asiáticas já pagam quase US$ 150 por barril de alguns tipos de petróleo, muito acima dos valores dos contratos futuros.
7 de abril de 2026
demanda de petróleo 2023
InfoMoney

O choque do petróleo causado pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã afeta todo o mundo. Mas países da Ásia e da Oceania estão sentindo ainda mais os efeitos do conflito, tanto pela escalada dos preços dos combustíveis fósseis quanto por restrições no abastecimento. Resultado: governos nacionais já estão desembolsando (ou deixando de embolsar) bilhões de dólares para tentar conter os altos de preços e as pressões inflacionárias.

Das fazendas na Nova Zelândia às fábricas de Délhi, na Índia, os efeitos da crise do petróleo se espalham por ambos os continentes. O Guardian mostra como as pessoas estão sendo afetadas. Para evitar a piora da situação, alguns governos já tomaram medidas que superam US$ 50 bilhões (R$ 258 bilhões) em gastos públicos – e a conta continua subindo.

A Indonésia é um exemplo. O país destinou US$ 22,4 bilhões (R$ 115 bilhões) para subsidiar a energia e compensar a estatal Pertamina e a concessionária de serviços públicos PLN por manterem os preços de combustíveis e as tarifas de eletricidade em níveis acessíveis, segundo a Reuters.

Na Coreia do Sul, o governo propôs um orçamento suplementar de US$ 17,3 bilhões (R$ 89 bilhões) para apoiar pessoas de baixa renda, jovens e empresas em resposta aos altos preços do petróleo. A expectativa é de que o Parlamento sul-coreano aprove a proposta até 6ª-feira (10/4).

Na Austrália, o primeiro-ministro Anthony Albanese disse que o governo reduziria pela metade o imposto sobre combustíveis e suspenderia a taxa para veículos pesados por três meses, medida que custará US$ 1,76 bilhão (R$ 9 bilhões). O país ainda disponibilizará até US$ 1,45 bilhão (R$ 7,5 bilhões) em empréstimos sem juros para empresas essenciais, incluindo operadoras de transporte e produtoras de fertilizantes – setores duramente afetados pela alta dos combustíveis fósseis.

Enquanto os governos fazem mais e mais contas e desembolsam mais dinheiro, refinarias europeias e asiáticas já estão pagando preços recordes de quase US$ 150 por barril para alguns tipos de petróleo bruto, segundo a Reuters. O valor é muito superior aos preços dos contratos futuros, o que evidencia o agravamento da crise de abastecimento.

A União Europeia ainda não sente “uma crise de segurança de abastecimento”, disse ao Financial Times o comissário europeu de Energia, Dan Jørgensen. No entanto, o bloco está avaliando “todas as possibilidades”, incluindo o racionamento de combustível e a liberação de mais petróleo das reservas de emergência, enquanto se prepara para um choque energético “duradouro” causado pela guerra.

Nessa linha, cinco países da UE – Alemanha, Itália, Espanha, Portugal e Áustria – estão defendendo a criação de um imposto sobre os lucros extraordinários das empresas de energia, em resposta ao aumento dos preços dos combustíveis, informam Reuters e Bloomberg. Tal medida poderia ajudar a financiar o alívio aos consumidores diante dos altos preços e ser um sinal de que “estamos unidos e somos capazes de agir”, afirmaram os ministros das Finanças dos países em carta divulgada no fim da semana passada.

  • Em tempo: Enquanto isso, o presidente da China, Xi Jinping, pediu o planejamento e a construção acelerados de um novo sistema energético para salvaguardar a segurança energética do país, informa a CNN Brasil. Sem mencionar a guerra no Oriente Médio, Xi Jinping também enfatizou o desenvolvimento da energia hidrelétrica e a proteção ambiental, ao mesmo tempo em que defendeu a expansão segura e ordenada da energia nuclear.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar