Guerra impulsiona roadmap para além dos combustíveis fósseis da presidência da COP30

Enquanto Brasil trabalha pelo mapa para fim de petróleo e gás, Petrobras investe bilhões para produzir mais em Sergipe e na Amazônia.
1 de junho de 2026
guerra roadmap combustíveis fósseis cop30
Rafa Neddermeyer/COP30 Brasil/PR
Resumo
  • Segurança energética: A restrição de oferta e a disparada dos preços do petróleo após os ataques ao Irã aumentaram o engajamento de negociadores no mapa do caminho para além dos combustíveis fósseis, coordenado pela presidência brasileira da COP30.
  • “Casa de ferreiro, espeto de pau”: Quatro meses após o prazo, o Brasil ainda não divulgou sequer um esboço de seu roadmap para eliminar os combustíveis fósseis. Mas, enquanto isso, a Petrobras anuncia R$ 62,5 bilhões em novos investimentos para produzir mais petróleo e gás, inclusive no coração da Floresta Amazônica.
  • Dever de casa: O roadmap global deverá ser apresentado até a COP31, na Turquia, em novembro, cabendo à próxima conferência do clima persuadir os países - incluindo o Brasil - a elaborarem seus planos nacionais.
  • Desde os ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã, que restringiram a oferta de petróleo e provocaram uma disparada dos preços, cresceu o engajamento de negociadores para avançar no mapa do caminho para além dos combustíveis fósseis, cuja elaboração é coordenada pela presidência brasileira da COP30. No entanto, contraditoriamente, a brasileira Petrobras anunciou investimentos bilionários para produzir mais petróleo e gás fóssil. Inclusive na Amazônia.

    A “corrida” pelo roadmap global para substituir petróleo, gás e carvão foi descrita à Folha por diplomatas envolvidos nas negociações. Com o mercado mundial de combustíveis fósseis gravemente afetado pelo conflito no Oriente Médio, aumentou a preocupação dos países com a dependência dessas fontes e, por consequência, o interesse por alternativas energéticas sustentáveis e mais seguras, impulsionando os trabalhos para o mapa, informa o Brasil 247.

    Ainda segundo os negociadores, até o momento os EUA se abstiveram totalmente das conversas. Por isso, a estratégia vem sendo driblar a resistência do governo Trump por meio do diálogo com Estados, instituições setoriais e científicas e empresas privadas.

    Para os diplomatas, tanto o peso da guerra quanto a discrepância na visão do “agente laranja” ficaram escancarados na CERAWeek, conferência mundial de energia realizada em Houston, no Texas, no fim de março. No evento, até altos executivos da indústria automobilística dos EUA discursaram sobre a urgência gerada pelo conflito e defenderam soluções como carros elétricos, enquanto integrantes do governo Trump adotaram um tom pró-petróleo.

    A equipe comandada pelo embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30, reuniu propostas de entidades e países e elaborou a estrutura do plano. O roadmap deverá prever um escalonamento entre países e setores da economia para efetivar a transição e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

    O mapa do caminho deverá ser apresentado até a COP31, na Turquia, em novembro. Por conta disso, é papel da próxima conferência do clima persuadir os países a elaborarem seus planos nacionais para além de petróleo, gás e carvão, avaliam Andreas Sieber, da 350.org, e. Shady Khalil, da Oil Change International no Climate Home.

    Isso, claro, também vale para o Brasil da COP30. Mas lá se vão quatro meses sem qualquer sinal das diretrizes do mapa do caminho nacional, que deveriam ter sido divulgadas no início de fevereiro. Mas temos investimentos bilionários da Petrobras para produzir mais petróleo e gás.

    Na semana passada, a petrolífera anunciou a aplicação de R$ 2,5 bilhões para extrair mais petróleo e gás na Província Petrolífera de Urucu, em Coari (AM), no coração da Floresta Amazônica. E mais R$ 60 bilhões foram anunciados pela empresa para a produção de combustíveis fósseis no litoral de Sergipe, relata o Brasil 247.

    A urgência climática – e também financeira, como a guerra no Irã escancarou – de substituição do petróleo e do gás que espere.

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