
A Índia pretende reduzir a intensidade de suas emissões em 47% até 2035, em relação aos níveis de 2005, informou o governo indiano na 4ª feira (25/3). O dado integra a nova meta climática (NDC) do país, que chega com mais de um ano de atraso e com metas conservadoras. A Índia é o terceiro maior emissor de gases de efeito estufa do planeta, atrás apenas de China e Estados Unidos, e no momento tem a economia com o crescimento mais acelerado, detalha a Reuters.
O país pretende aumentar a capacidade instalada de geração renovável de energia elétrica para 60% da matriz de eletricidade nos próximos dez anos; atualmente é de 52,6%, segundo o governo indiano. O texto da NDC ainda diz já ter cumprido o compromisso anterior de reduzir a intensidade de emissões de seu PIB em 35% em relação a 2005 e de ter 40% de participação de energia não renovável em sua matriz elétrica até 2030, relatam Folha e Financial Times.
Segundo um estudo do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA), as emissões de dióxido de carbono da Índia aumentaram 0,7% em 2025 – o menor crescimento em mais de duas décadas, destaca o Carbon Brief. É uma desaceleração acentuada se comparada a aumentos de 4% a 11% nos quatro anos anteriores, informa a Reuters.
Em sua nova NDC, a Índia também promete remover entre 3,5 a 4 bilhões de toneladas de CO2 equivalente por meio de cobertura arbórea na próxima década. O país prevê zerar suas emissões líquidas só em 2070, duas décadas depois dos países europeus e uma década depois da China.
Para analistas, países em desenvolvimento, como a China e a Índia, têm estabelecido metas climáticas conservadoras. Segundo a ONU, a NDC indiana segue uma série de estratégias climáticas desanimadoras, em contraste com as de dezenas de outras nações, e aquém da meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C.
“Sabemos que os países ricos estão dando para trás na própria ação climática e que o financiamento, crucial para países com muitos pobres, como a Índia, não chegou. Sabemos que os EUA estão fazendo bullying contra o governo (Narendra) Modi por mais fósseis. É verdade (também) que o país tem acelerado a adoção de energia renovável, e faz isso não por preocupações climáticas, mas porque é mais barato. Mas, em 2026, com o aquecimento global a poucos anos de estourar a meta de Paris, a NDC indiana só pode ser chamada de ambiciosa se comparada a si mesma. Infelizmente, não é assim que a atmosfera mede ambição”, avalia o coordenador de política internacional do Observatório do Clima, Claudio Angelo.
As metas da Índia subestimam o “potencial de crescimento transformador da energia limpa”, disse Lauri Myllyvirta, analista-chefe do CREA à Bloomberg. “É altamente provável que a crescente indústria de energia limpa indiana proporcione um progresso muito mais rápido do que os decisores políticos estavam preparados para comprometer-se hoje”.
Climate Home e Down To Earth também noticiaram a nova NDC da Índia.
Em tempo: A Alemanha apresentou, na 4ª feira (25/3), o programa para cumprir suas metas climáticas para 2030 e reduzir sua dependência de importações de combustíveis fósseis. Com um custo de € 8 bilhões (R$ 48 bilhões), o plano abrange 67 pontos. Entre eles está o investimento para expansão da capacidade de energia eólica e o aumento das vendas de veículos elétricos. A NDC alemã aponta uma redução de 65% das emissões em relação aos níveis de 1990 até 2030. Até agora, a redução é de cerca de 48%. O que faz com que especialistas avaliem que as políticas existentes não são suficientes para atingir a meta a tempo, informam Reuters e DW.



