Emissões do passado causarão trilhões de dólares em prejuízos econômicos futuros

Somente as emissões dos EUA desde 1990 causaram um prejuízo mundial de US$ 10 trilhões, mostra um estudo da Universidade de Stanford.
31 de março de 2026
emissões globais metano recorde 2024
Robert S. Donovan

As emissões de décadas passadas causam hoje trilhões de dólares em prejuízos econômicos, e o valor continuará aumentando enquanto a crise climática progride. É essa a conclusão de um estudo publicado na revista Nature.

A pesquisa da Universidade de Stanford atribuiu um valor monetário aos danos causados às nações individualmente e ao planeta pelo dióxido de carbono emitido ao longo do tempo por países e grandes empresas. No geral, uma tonelada de CO2 emitida em 1990 causou US$ 180 (R$ 940) em danos até 2020. O valor chegará a US$ 1.840 (R$ 9.600) até 2100.

Somente as emissões dos Estados Unidos desde 1990 causaram prejuízo mundial de US$ 10 trilhões (R$ 52 trilhões), informa o phys.org. Desse montante, US$ 330 bilhões (R$ 1,7 trilhões)  foi o dano ao Brasil; US$ 500 bilhões (R$ 2,6 trilhão), à Índia; e quase US$ 3 trilhões (quase R$ 16 trilhões) aos próprios EUA. Já as 2,145 bilhões de toneladas de dióxido de carbono emitidas pelo Brasil no mesmo período causaram um prejuízo que ultrapassa R$ 2 trilhões [ou US$ 385 bilhões] em danos climáticos infligidos ao planeta, detalha Marcelo Leite na Folha.

As emissões entre 1988 e 2015 da petrolífera Saudi Aramco, da Arábia Saudita – o maior emissor empresarial do mundo, segundo o estudo -, resultaram em US$ 3 trilhões (quase R$ 16 trilhões) em danos globais até 2020. Se estes gases emitidos permanecerem na atmosfera até o final do século, os danos custarão 20 vezes mais.

“Nosso estudo mostra que, devido aos impactos agravados do aquecimento no crescimento econômico, o tempo desde que as emissões ocorreram é crítico para contabilizar com precisão as perdas e danos associados às emissões passadas, bem como a análise de custo-benefício de soluções potenciais”, disse o coautor da pesquisa, Noah Diffenbaugh.

Além de medidas de adaptação e mitigação, os pesquisadores também consideram a remoção do dióxido de carbono e outros gases do efeito estufa da atmosfera como uma forma de reduzir o prejuízo. Para os especialistas, se uma tonelada de dióxido de carbono permanecer na atmosfera durante 25 anos antes de ser removida, ela já terá causado metade do dano esperado.

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