Degelo no Ártico libera carbono estocado por milhares de anos

Com aumento da temperatura, camada de solo que descongela sazonalmente está se aprofundando e liberando matéria orgânica antiga no oceano.
8 de abril de 2026
Antártica degelo
Andrew Tang / Unsplash

Um estudo liderado por cientistas da Universidade de Massachusetts Amherst detalha como o degelo acelerado no Ártico tem liberado grandes quantidades de carbono que estavam armazenadas há milhares de anos. A análise usou 44 anos de dados modelados em alta resolução e abrangeu uma área do norte do Alasca, onde centenas de rios desaguam no Mar de Beaufort, detalha o Um Só Planeta.

Segundo a pesquisa, os rios do Ártico têm papel desproporcional no sistema global: transportam cerca de 11% da água fluvial do planeta para uma bacia oceânica que contém 1% do volume oceânico mundial. Esse desequilíbrio torna o Oceano Ártico sensível às mudanças climáticas – como o Nature World News pontua, a região aquece quase quatro vezes mais rápido que a média global.

Com o aumento das temperaturas, a camada ativa do solo – parte que descongela sazonalmente nos verões – está se aprofundando, permitindo um fluxo maior de água subterrânea e liberando matéria orgânica, com carbono dissolvido, que está chegando ao oceano. Estima-se que mais de 275 milhões de toneladas de carbono sejam convertidas anualmente em CO2, intensificando as mudanças climáticas.

O estudo também destaca o prolongamento da temporada de degelo, que agora avança até setembro e outubro e impacta ciclos de nutrientes e cadeias alimentares. Os ursos polares, por exemplo, dependem do gelo marinho para caçar focas-aneladas. Sem elas, eles jejuam por períodos maiores, chegando até cinco meses em algumas áreas, conta o Nature World News.

  • Em tempo: Na Argentina, deputados debateram na 4ª feira (8/03) proposta do governo de Javier Milei para que as províncias redefinam as áreas de proteção a geleiras e ampliem a exploração da mineração. Em manifestação em frente ao parlamento, em Buenos Aires, ativistas protestaram e sete pessoas foram presas, relata a Folha. A proposta tem apoio de governadores de províncias andinas como Mendoza, San Juan, Catamarca e Salta, que concentram projetos de cobre, ouro e lítio e grande parte das geleiras. Como é de praxe, apoiadores falam em "esclarecer critérios imprecisos" e melhorar a "segurança jurídica".

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar