China muda cálculo e “apaga” crescimento das emissões de carbono

Nova métrica de carbono do país deixa uma lacuna equivalente às emissões da Alemanha em seus números e gera incertezas entre especialistas.
27 de maio de 2026
china emissões de carbono
Montagem ClimaInfo / Foto Bandeira da China: Gary Lerude
Resumo
  • China revisa cálculo e reduz avanço reportado das emissões: uma mudança na metodologia de contabilidade de carbono fez o crescimento das emissões chinesas entre 2020 e 2025 cair de 14% para 7%, surpreendendo especialistas e levantando dúvidas sobre a transparência dos dados.
  • Nova métrica cria “lacuna” milionária de carbono: a revisão elimina cerca de 700 milhões de toneladas anuais das estatísticas chinesas - volume equivalente às emissões totais da Alemanha - e pode facilitar o cumprimento das metas climáticas do país para 2030.
  • Especialistas alertam para maior incerteza climática: pesquisadores indicam que a metodologia passou a excluir parte dos usos industriais de combustíveis fósseis e a incluir novas categorias de emissões, o que, segundo análises, enfraquece o monitoramento do progresso climático chinês.
  • Em uma decisão que deixou especialistas surpresos, a China mudou a forma como calcula suas emissões de dióxido de carbono. A nova métrica chinesa simplesmente reduziu pela metade o crescimento das emissões entre 2020 e 2025, em comparação com o que havia sido reportado anteriormente.

    As estatísticas mais recentes da China sobre intensidade de carbono em seu plano quinquenal, quando extrapoladas para emissões absolutas, indicam um crescimento de 7% no período. No entanto, números anteriores indicavam um aumento de 14%, segundo uma análise do Centro de Pesquisa em Energia e Ar Limpo (CREA, sigla em Inglês) publicada no Carbon Brief.

    A revisão “para baixo” significa uma redução de 700 milhões de toneladas por ano nas emissões. Isso equivale ao que é emitido anualmente pela Alemanha ou pela Coreia do Sul, informam Reuters e Público. Com as mudanças suspeitas, o país pode cumprir seu compromisso climático para 2030, mesmo que as emissões absolutas aumentem.

    Segundo o Financial Times, a China não divulga publicamente como calcula a intensidade de carbono, mas pesquisadores utilizaram dados do PIB e estimativas de emissões provenientes do uso de combustíveis fósseis para supor a metodologia. A modelagem sugere que a nova metodologia exclui os usos não energéticos de combustíveis fósseis, como a utilização de petróleo e carvão na produção química – que aumentou nos últimos anos.

    “A mudança na definição da intensidade de carbono enfraquece as metas climáticas da China e introduz mais incerteza no acompanhamento do progresso”, diz o relatório do CREA.

    A China tem meta de reduzir suas emissões em 65% em relação aos níveis de 2005 até 2030.

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