Técnicos do IBAMA reagem à aprovação de plano da Petrobras para a foz do Amazonas

Associação de servidores da área ambiental vê “grave retrocesso institucional” em decisão da presidência do IBAMA contrária ao parecer técnico.
21 de maio de 2025
ibama técnicos protestam
ASCEMA

A decisão do presidente do IBAMA, Rodrigo Agostinho, de contrariar um parecer técnico e aprovar a nova versão do Plano de Proteção e Atendimento à Fauna Oleada (PPAF) apresentada pela Petrobras no licenciamento do bloco FZA-M-59, na foz do Amazonas, irritou os servidores do órgão. A medida deixa a petroleira a um passo de perfurar um poço na área para exploração de combustíveis fósseis no litoral amazônico.

A direção nacional da Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente (ASCEMA) divulgou uma nota em protesto contra a aprovação do plano da Petrobras. A ASCEMA manifestou “profundo protesto e indignação” com a decisão de Agostinho, que classificou como uma “ruptura com os pareceres técnicos da casa” e um “grave retrocesso institucional”.

A associação lembrou que o corpo técnico do IBAMA já havia dado parecer definitivo contra a autorização para a Petrobras explorar petróleo e gás no bloco 59. Em outubro do ano passado, analistas do órgão recomendaram, inclusive, o arquivamento definitivo do processo de licenciamento. Por isso, a ASCEMA avalia que o aval é uma decisão política que ignora o trabalho dos profissionais do órgão.

No despacho, Agostinho apontou que não houve “maiores questionamentos” sobre a dimensão dos recursos apresentados pela Petrobras para socorrer a fauna. Mas o parecer técnico de fevereiro é mais duro do que ele sugere. O texto afirmou que, “em lugar de buscar soluções reais” para as fragilidades no PPAF, a Petrobras optou por “enaltecer a excelência” de seu próprio projeto.

Segundo a ASCEMA, Agostinho tentou dar um “verniz técnico” em sua decisão para dar aparência de respaldo científico a uma escolha motivada por pressões externas. Há tempos o IBAMA é atacado pela ala do governo favorável a explorar petróleo “até a última gota”, liderado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e pela presidente da Petrobras, Magda Chambriard. Esse grupo ganhou o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil/AP) e respaldo do próprio presidente Lula.

“Expedientes similares foram empregados no passado para emissão de licenças ambientais controversas e que se revelaram catastróficas quando da implementação dos empreendimentos. A substituição do conhecimento técnico por decisões de cunho político ou administrativo fragiliza a credibilidade institucional do IBAMA e representa grave retrocesso na proteção socioambiental do país”, destacou a ASCEMA.

Carta Capital, CNN Brasil, Deutsche Welle, Diário do Povo e O Globo repercutiram a reação dos servidores à decisão da presidência do IBAMA.

  • Em tempo: Com o PPAF aprovado, a Petrobras irá realizar no bloco 59 a Avaliação Pré-Operacional (APO), um “simulado” de vazamento de petróleo, sob vistoria do IBAMA, para verificar se consegue conter derramamentos e prestar socorro à fauna. Segundo Folha, a limpeza da plataforma que perfurará o poço de combustíveis fósseis na área, que está sendo feita no Rio de Janeiro, deve ser concluída no fim de maio. A petroleira calcula que, finalizada essa etapa, o transporte até o litoral do Amapá deve durar cerca de 20 dias, ou seja, a unidade estaria na locação até o fim de junho. No entanto, a data para a APO ainda não foi definida pelo IBAMA.

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