
Um juiz da Dakota do Norte sentenciou o Greenpeace dos Estados Unidos a pagar US$ 345 milhões (R$ 1.7 bilhão) à empresa de gasodutos Energy Transfer (ET.N). O processo é referente a um caso de protestos contra a construção do gasoduto Dakota Access em 2017.
A construção do oleoduto de 1.887 km teve início em 2016 e foi concluída em 2017. Atualmente, ele transporta cerca de 40% do petróleo produzido na região de Bakken, Dakota do Norte, para Illinois, explica o NY Times.
Na época da construção houve protesto de grupos ambientalistas e de defesa de Direitos Indígenas, que alegaram que o empreendimento contaminaria a água local e agravaria a crise climática. O projeto Dakota Access fica próximo à Reserva Indígena Standing Rock, informa o Guardian.
Segundo Trey Cox, advogado da Energy Transfer, o Greenpeace explorou a questão local, disseminando informações falsas para promover sua agenda. Cox chegou a afirmar que a organização contratou manifestantes profissionais, organizou treinamento para os participantes, compartilhou informações sobre o trajeto do oleoduto e até mesmo enviou caixas com cadeados para que os manifestantes pudessem se prender aos equipamentos, detalha o Euronews.
O Greenpeace rebateu a acusação, ressaltando que não há provas para as alegações e classificou o processo judicial como “guerra jurídica”, com o objetivo de silenciar ativistas e críticos.
O grupo foi sentenciado a US$ 660 milhões (R$ 3,4 bilhões) em 2025. Mas o juiz James Gion considerou que alguns danos tinham sido contabilizados duas vezes e reduziu o valor para US$ 345 milhões, informa O Globo.
Em comunicado, o Greenpeace afirmou que buscará um novo julgamento e, se necessário, recorrerá da decisão à Suprema Corte do Dakota do Norte.
“Manifestar-se contra corporações que causam danos ambientais nunca deve ser considerado ilegal”, disse Marco Simons, conselheiro geral interino do Greenpeace EUA e do Greenpeace Fund, em um comunicado.
Em fevereiro deste ano, o Greenpeace entrou com uma ação judicial contra a Energy Transfer no seu país de origem, a Holanda. O litígio – que ainda está em andamento – tem como base uma lei europeia que visa coibir processos judiciais movidos para assediar ou silenciar ativistas, conta o Earth.org.



