
Notícias nada boas vindas do Ártico. Segundo análise feita pela AFP, com dados do órgão estadunidense National Snow and Ice Data Center (NSIDC), o gelo marinho do Ártico atingiu um dos níveis mais baixos de reconstituição no inverno 2025-2026. A área congelada é inferior à mínima histórica registrada no ano passado.
Se a tendência prosseguir, ainda neste mês, o número ficará entre os cinco níveis mais baixos de cobertura de gelo em quatro décadas de observação por satélite – e pode superar o recorde de 2025. Atualmente, a extensão máxima do gelo foi de 14,22 milhões de km² em 10 de março, inferior aos 14,31 milhões de km² registrados em 22 de março de 2025. A diferença, de 90 mil km², equivale ao território de Portugal, ou de Santa Catarina.
O Ártico está aquecendo quatro vezes mais rápido que o resto do planeta e a temporada de derretimento está durando mais tempo, chegando a se estender até setembro, informa o phys.org. “Os sinais de alerta indicam que estamos caminhando para um planeta superaquecido que sofrerá danos consideráveis”, alerta Shaye Wolf, diretora científica do Center for Biological Diversity.
A reconstituição insuficiente do gelo marinho no Ártico pode acelerar o derretimento do mesmo no verão, afetando diversas espécies – como ursos polares e focas – que necessitam do gelo para se reproduzir e se alimentar, contam O Globo, Folha e UOL. Além disso, a condição contribui para a alteração dos padrões de vento e da mistura da água na região – que fica mais escura, absorvendo mais luz solar e retendo mais calor-, o que contribui para o aquecimento local.
A redução do gelo tem aumentado a tensão regional entre nações como Rússia, Estados Unidos e Canadá, que estão de olho em novas rotas de navegação e nos recursos minerais do Ártico, informa o Times of India. “O Ártico está se transformando em um novo Mediterrâneo: um espaço marítimo compartilhado, cercado por Estados rivais”, sentenciou Elizabeth Chalecki, especialista em mudanças climáticas e segurança.
Em tempo: A temperatura média da superfície marinha global alcançou 20,88°C em fevereiro e se tornou a segunda mais alta já documentada para este período do ano, informou o Serviço de Mudanças Climáticas do Copernicus, vinculado à União Europeia. O desequilíbrio oceânico foi o combustível direto para os eventos extremos na Europa Ocidental e Meridional, pois quanto mais quente a superfície do mar, maior a evaporação e a umidade transportada para o continente, o que resulta em chuvas extremas. A Revista Amazônica detalha.



