ClimaInfo, 12 de março de 2019

ClimaInfo mudanças climáticas

Brasil é o maior importador de etanol dos EUA

Os EUA são os maiores produtores de etanol do mundo, seguidos pelo Brasil. Lá, o etanol é feito de milho e a safra deles cobre a entressafra daqui. O grosso da produção norte-americana é por lá misturada à gasolina em uma proporção de 10%. O Brasil importou quase 1,6 dos 27 bilhões de litros consumidos no ano passado. Segundo uma associação do setor nos EUA, as exportações totais dos EUA renderam US$ 2,75 bilhões, enquanto que a receita das nossas exportações foi de US$ 741 milhões.

 

BP se prepara para entrar no Renovabio

A British Petroleum é dona de três usinas de etanol no Brasil e está se preparando para entrar no programa Renovabio e aumentar sua receita por meio da venda de CBIOs, certificados que fazem o papel de créditos de carbono no programa. A BP cadastrou estas suas usinas no programa de biocombustíveis do California Air Resources Board (CARB), que também usa como métrica a intensidade de carbono do etanol. O principal executivo da BP no Brasil, Mario Lindenhayn, disse que “nossa expectativa é ter uma das menores intensidades de carbono no RenovaBio”. Para participar, cada usina tem que fazer o levantamento das emissões na destilaria e na propriedade de cada uma de seus fornecedores de cana. E tudo isso tem que ser auditado por uma empresa de verificação credenciada pela ANP.

 

Os muitos ventos ainda a serem aproveitados no Brasil

Um relatório do BTG Pactual sobre as fontes renováveis mostra que ainda há muito potencial eólico a ser explorado. A geração eólica disparou nos últimos dez anos, saindo de menos de 400 MW em 2008 para quase 14.000 MW em 2018. Isso representou um crescimento médio anual de 45%. Assim, a participação da fonte na matriz elétrica do país saiu de 0,3% para 9% ao fim do ano passado. E ainda há muito vento a explorar. O último Plano Decenal da EPE estima que serão adicionados mais 5.000 MW até 2026. O relatório do BTG fala em mais 30.000 MW até 2027. Até hoje, as plantas eólicas têm se concentrado no litoral do Nordeste e no interior da Bahia, onde venta sem parar durante quase metade do ano. A partir de agora, os projetos terão que aproveitar ventos menos ótimos. No entanto, o pessoal do BTG está otimista por conta de uma mudança em curso na remuneração da geração: o preço de venda variará ao longo do dia e ao longo do ano para refletir a sazonalidade das hidrelétricas e a curva de demanda diária. Assim, plantas que puderem aproveitar o vento durante o horário de máximo consumo receberão um preço melhor. Segundo o BTG, isso inclui o nordeste da Bahia, o sudeste do Piauí, e também novas localidades, como o norte de Roraima e o leste do Paraná. O relatório avisa que só olhou para o potencial eólico em terra e não estudou o potencial dos ventos off-shore.

 

Faltam 4 dias para o mundo ver jovens lutando contra a inação frente à crise climática

Nesta 6a feira (15/3), jovens de todo o mundo não irão às aulas em defesa do seu futuro. Eles exigem que os líderes de governos e de corporações tomem as medidas drásticas imprescindíveis para evitar o aquecimento global. Vejam aqui onde acontecerão as manifestações.

Ontem, o Boletim dos Cientistas Atômicos publicou um artigo escrito por 4 jovens americanos que começa assim: “Nós, jovens da América estamos de saco cheio de décadas de falta de ação quanto à mudança do clima”. Em seguida, eles explicam o movimento e fazem uma defesa do Green New Deal apresentado pelos Democratas ao Congresso dos EUA: “Entramos em greve porque acreditamos que a crise climática deva ser chamada pelo que ela realmente é: uma emergência nacional, porque o tempo está se esgotando”.

 

Negacionistas defendem “uma agenda climática baseada em evidências e nos interesses reais da sociedade”

Um grupo de negacionistas da mudança climática escreveu uma carta aberta ao ministro do meio ambiente, Ricardo Salles (copiando o vice Mourão e vários outros ministros), na qual propõem uma agenda climática cujos principais objetivos seriam: “a) um melhor conhecimento da dinâmica do clima, com ênfase nos estudos paleoclimáticos do território brasileiro; e b) um aumento da resiliência da sociedade para fazer frente aos eventos meteorológicos extremos e a quaisquer tendências climáticas que se manifestem no futuro.” Nada contra estes objetivos, mas os signatários propõem persegui-los “em lugar do alarmismo sobre o aquecimento global e da pseudopanaceia do ‘baixo carbono'”. Os dois objetivos são evidentemente limitados frente ao tamanho da questão. Mas o problema principal da carta é a negação da necessidade da mitigação das mudanças climáticas. Para eles, “não há evidências físicas da influência humana no clima global”, “a hipótese do aquecimento ‘antropogênico’ é um desserviço para a Ciência e um risco para as políticas públicas” e “a ‘descarbonização’ é desnecessária e deletéria”. Com isso, embora aceitem o aquecimento global como um fato, negam a necessidade de políticas públicas efetivas que venham a zerar o desmatamento e promovam o abandono paulatino da queima de combustíveis fósseis, passos essenciais para a mitigação das mudanças climáticas. Isso já é muito grave, mas a coisa piora se observarmos que os autores tentam enquadrar aqueles que se preocupam com as mudanças climáticas como “ambientalistas”, categoria que claramente menosprezam. Com isto, tentam mascarar que, na realidade, estão atacando a Ciência do Clima, os dezenas de milhares de trabalhos científicos que pouco a pouco foram construindo o entendimento científico atual da questão climática e que foram essenciais para a construção da Convenção Clima (a UNFCCC) e do Acordo de Paris.

Em tempo 1: interessante observar que os signatários praticamente não têm trabalhos publicados em revistas científicas indexadas da área climática. O grosso das publicações dos três principais signatários foi feito nos campos da meteorologia e da geografia, a análise dos trabalhos da turma mostra um padrão claro de automultiplicação (vários dos signatários são orientadores e ex-orientandos) e, à exceção dos trabalhos dos três principais, os demais, na sua maior parte, têm trabalhos publicados principalmente em anais de congressos, sendo que muitos num tal de Fórum Ambiental da Alta Paulista. Quanto aos três principais signatários, Ricardo Felício já teve sua ficha entregue pelo Direto da Ciência em agosto de 2017, Luiz Carlos Molion faz seu negacionismo com financiamento do agronegócio e o geógrafo José Bueno Conti publicou um artigo mencionando muito superficialmente os diversos ciclos naturais que têm consequências sobre a temperatura média global, cuja superposição para a construção da curva de temperatura média global já foi exaustivamente estudada pelo IPCC.

Em tempo 2: um outro signatário, Fernando de Mello Gomide, autor do livro “Astrologia à luz da Ciência”, assina a carta como “professor titular (aposentado) do Instituto Tecnológico da Aeronáutica (ITA)”, onde, de fato, ele foi Auxiliar de Ensino entre 1956 e 1959.

 

Reunião da ONU Meio Ambiente discute soluções inovadoras para a sustentabilidade

O tema da 4ª sessão da Assembleia da ONU Meio Ambiente é “Soluções inovadoras para os desafios ambientais e para uma produção e consumo sustentáveis”. Uma cultura inovadora requer criatividade, abertura e participação. E é tão mais estimulada quanto maior a participação de mulheres. “O empoderamento da mulher, especialmente em setores do desenvolvimento sustentável, faz todo o sentido do ponto de vista social, econômico e dos negócios”. Os trabalhos apresentados abordam três áreas focais: i) os desafios ambientais relacionados com pobreza e gestão dos recursos naturais; ii) o uso da abordagem de ciclo de vida para tratar de energia, produtos químicos, gerenciamento de resíduos e eficiência no uso de recursos naturais; e iii) desenvolvimento de negócios inovadores e sustentáveis em uma época de rápida mudança tecnológica. O site da reunião recomenda dar uma olhada no relatório do Diretor Executivo falando destas três áreas.

 

Finlândia quer se livrar de carvão em dez anos

Na semana passada, o parlamento da Finlândia aprovou uma resolução banindo a geração de eletricidade em térmicas a carvão daqui a dez anos. O carvão representa pouco menos de 10% da matriz energética finlandesa. A resolução prevê uma compensação para as empresas donas das térmicas que ainda estejam em operação naquela data.

 

Carvão em crise na Austrália

A indústria do carvão australiana está enfrentando uma de suas piores crises: a China, maior parceira do carvão do país, fechou um dos portos à importação de carvão australiano, mas não o vindo de outros países; a Glencore pretende limitar o volume transacionado, incluindo o vindo da maior mina do mundo; e, pela primeira vez, um juiz australiano proibiu a abertura de uma nova mina de carvão pelo impacto que teria no aquecimento global. A indústria diz que a situação é passageira. A decisão chinesa foi tomada, provavelmente, em retaliação à decisão do governo australiano que proibiu a participação de uma gigante chinesa na construção da rede 5G. A decisão do juiz pode ser revertida. Mesmo assim, analistas veem a entrada das renováveis junto com o gás natural como decisivas, de modo que o futuro do carvão fica cada dia mais da cor do próprio. A análise veio da Economist.

 

O truque sujo como carvão da Glencore

No mês passado, a suíça Glencore, uma das maiores produtoras e traders de carvão do mundo, anunciou que colocaria um limite no volume de carvão que transaciona como um passo inicial de um programa que visa abandonar completamente o mercado de carvão. Mas descobriu-se que a empresa, secretamente, vinha investindo em uma empresa patrocinadora de campanhas em favor do carvão dirigidas ao governo e ao público australianos. A descoberta pegou muito mal na Austrália, onde a Glencore é dona da maior mina de carvão do mundo. O ex-primeiro ministro australiano, Kevin Rudd, chamou a campanha secreta de “uma vergonha nacional”.

 

A pesquisa científica é majoritariamente financiada com dinheiro público, mas as publicações geradas não são gratuitas

Um artigo muito interessante de Georges Monbiot para o The Guardian fala do controle que apenas 5 grandes editoras têm sobre as publicações científicas mundiais. É um mercado que se autopromove e fatura muito. Como verbas de pesquisa e contratos de pesquisadores dependem da publicação de seus trabalhos em quantidade e em revistas de alto impacto, as 5 grandes editoras promovem suas marcas – Nature, Science, etc. – como as grandes referências. A publicação é paga, as assinaturas são caríssimas, e até uma cópia de um único artigo custa dezenas de dólares. Isto, para Monbiot, é um roubo. Afinal, boa parte dessas pesquisas são pagas com dinheiro público por meio de agências governamentais, como as nossas CAPES e FAPESP, e da filantropia. Logo, os resultados das pesquisas também deveriam ser abertos ao público e não escondidos atrás das paywalls das editoras. Monbiot elegeu como heroína a jovem cientista cazaque Alexandra Elbakyan. Ela é a figura de frente do site sci-hub que abre para o mundo todo os artigos defendidos pelas paywalls. Vale ler o artigo que também foi publicado em português pela Revista Ópera e conferir o twitter do sci-hub para atualizações.

 

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