ClimaInfo, 30 de janeiro de 2019

ClimaInfo mudanças climáticas

A Vale terá que se reinventar

Para o Valor Econômico, a tragédia de Brumadinho será um divisor de águas para a mineração, em especial para a mineração de ferro em Minas Gerais. Ouvindo executivos do setor de mineração, o Valor concluiu que é consenso no meio que a mineração brasileira terá que se reinventar depois da última tragédia. As mineradoras não escapam mais de um investimento pesado no “recall” das barragens com alteamento a montante, tecnologia usada tanto na barragem de Fundão, em Mariana, que rompeu em 2015, como no reservatório I da mina de Feijão, da Vale, que cedeu sexta-feira.

O jornalista Josias de Souza, por sua vez, não acredita em movimentos importantes internos ao setor. Para ele, “só uma Operação Lama-Jato pode evitar que o setor de mineração continue matando gente e degradando o meio ambiente (…) Uma Operação Lama-Jato injetaria nos cálculos de engenharia, de manutenção e de fiscalização das barragens uma variável nova: o pavor da tranca e o medo do escoamento do patrimônio pessoal para as indenizações e as multas.”

Pelo sim, pelo não, os acidentes em série devem ter impacto no valor da empresa. Para um grande investidor, “a Vale corre o risco de perder o investimento dos gigantes fundos Europeus que levam a sério as políticas ambientais e de governança corporativa”.

 

Proposta de ministro para licenciamento ofende vítimas de Brumadinho e o bom senso

Em resposta à tragédia de Brumadinho, o ministro do meio ambiente de Bolsonaro prometeu afrouxar legislação ambiental. Para ele, a flexibilização do licenciamento e a adoção do autolicenciamento liberariam fiscais que poderiam, então, focar em atividades de alto e médio impactos. Em artigo publicado no Direto da Ciência, Claudio Angelo lembra que os órgãos ambientais federal e estaduais não têm pessoal suficiente nem sequer para atividades de alto impacto, muito menos para as de baixo impacto, e que, por isto, “a resposta correta seria aumentar o pessoal e aprimorar a fiscalização.” O artigo merece ser lido pela criteriosa análise das propostas de flexibilização do licenciamento ambiental que tramitam no congresso

 

Agenda do ministro do meio ambiente não tem espaço para ambientalistas

Perto de completar um mês à frente do ministério do meio ambiente, Ricardo Salles ainda não recebeu ambientalistas, cientistas ou profissionais com atuação na área ambiental. Tampouco organizações, universidades e institutos voltados ao setor. Salles dedicou sua agenda oficial a empresários e representantes de diversos setores produtivos, entre eles gente dos Secovi-SP, Shell, Santander, Instituto Brasileiro de Mineração, Vale (dois dias antes da tragédia de Brumadinho), Abiove e bancada ruralista.

 

Os rios estão morrendo

Jonathan Watts, do The Guardian, ligou os desastres de Brumadinho e de Mariana, dizendo que a lama de Brumadinho está indo rio abaixo e, apesar das declarações de dirigentes da Vale e das autoridades, existe a possibilidade real de que a lama ultrapasse a barragem da Hidrelétrica de Retiro Baixo, desague no rio São Francisco e, dali, siga rumo ao mar. A quantidade de lama é bem menor do que a que vazou da represa do Fundão e o caminho até o mar é bem maior que o caminho contaminado do Rio Doce. Mesmo assim, a dimensão ambiental do desastre é ridiculamente alta. Várias espécies de peixes só são encontrados na bacia do Velho Chico e podem desaparecer. Para Watts, o Rio Doce segue morrendo e, até agora, o Rio Paraopeba segue o mesmo caminho.

A história de Mariana se repete, tanto no desleixo com as represas rompidas como na falta de cuidado com a comunicação para a população atingida e para o restante do país. A direção da Vale não se considera responsável, o pessoal das águas repete que nada de grave vai acontecer e o general Augusto Heleno repete o novo mantra do governo, dizendo que a legislação ambiental não será afrouxada, mas que “não pode ser adiada sem motivos justos”. A pergunta ao general e ao governo que adota este tipo de discurso é simples: a barragem de rejeito do Feijão tinha todas as licenças ambientais. O governo pretende aumentar o rigor para com a mineração ou, “por motivos justos” a vulnerabilidade da população e das economias próximas a essas áreas continuarão a viver sob o risco de serem enterradas num mar de lama contaminada?

 

Alemanha no caminho do abandono do carvão

Após horas de discussões durante o final de semana, o parlamento alemão aprovou legislação que coloca uma data para o fim da geração de eletricidade por termelétricas a carvão: 2038. A decisão envolveu empresas de energia, sindicatos, a academia e organizações da sociedade civil. Para fazer a transição, foram criados programas de demissão voluntária, de retreinamento e requalificação, e um olhar para mineiros e suas famílias. O Deustche Welle diz que “o acordo deste sábado marca a segunda intervenção importante no mercado energético alemão em uma década. A outra foi a decisão de fechar todas as usinas nucleares até 2022, em reação ao desastre de Fukushima, no Japão, em 2011.”

 

2019 promete ser o ano da bateria

A editoria de energia da agência de rating Standards & Poors está apostando que 2019 será o ano da bateria, o ano no qual a tecnologia começará a aparecer nos balanços energéticos mundo afora. A matéria diz que, “pela maioria dos critérios, 2018 foi o tão esperado ano no qual a bateria realmente começou a ocupar o mercado com volumes recordes de investimentos fluindo na direção de pesquisa, desenvolvimento de produto e da fabricação, enquanto os preços despencaram, governos discutiram novas políticas de suporte ao armazenamento de energia e os mercados de massa apareceram para veículos elétricos e células de combustível.”

 

Queimar biomassa no lugar do carvão para gerar eletricidade

A energética EDF e o governo francês planejam converter uma usina térmica a carvão de 1,2 GW (milhões de kWh) para a queima de biomassa. A alternativa é importante para a França. Boa parte da geração francesa é nuclear e o governo Macron quer reduzir a participação do que considera uma fonte vulnerável. Macron também quer reduzir a dependência em relação ao carvão por conta da poluição atmosférica e, claro, do aquecimento global. Hoje, a França exporta eletricidade para seus vizinhos e, sem um planejamento cuidadoso, ela corre o risco de passar a importar energia. As eólicas e fotovoltaicas estão crescendo e assumindo um papel cada vez maior na matriz elétrica. Mas precisam encontrar e investir em um parque complementar.

Seria louvável o Brasil buscar ampliar seu parque de geração a biomassa que, hoje, existe apenas para queimar o bagaço que sobra da moagem da cana-de-açúcar. o parque existente em destilarias, não dá conta de todo o bagaço produzido pela indústria da cana. Assim, o país é um local importante para o desenvolvimento de uma fonte renovável e que pode ser usada para complementar o vento e o Sol. A um preço que não para de cair.

 

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