Geopolítica energética: G7 pressiona por limite para preços de petróleo russo

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Bjoern Kils/Reuters

Uma das medidas sinalizadas pelos países do G7, o grupo das sete economias mais ricas do mundo, para barrar os ataques russos na Ucrânia é a imposição de um limite de preço para os combustíveis produzidos por Moscou, o que limitaria o valor arrecadado pelo país com a exportação de seus petróleo e gás natural. A proposta ainda está em estágio inicial de discussão, mas especialistas no mercado de energia já se mostram céticos quanto à possibilidade.

A Al-Jazeera abordou os caminhos para essa medida sair do papel. Em tese (ao menos com base no pouco que foi dito pelos líderes do G7 durante a cúpula na Alemanha, na semana passada), isso poderia se dar por meio de restrições a instituições financeiras, especialmente seguradoras de navios, para o transporte de petróleo russo, a menos que o preço do combustível estivesse abaixo de um valor acordado. “Em teoria, é uma solução bastante elegante porque usa uma abordagem de ameaça-e-recompensa”, comentou Benedict McAleenan, da Helmsley Energy. “A recompensa é a chance de comprar petróleo russo ainda mais barato. A ameaça é a perspectiva de sanções e não poder negociar com grandes economias como EUA e União Europeia”.

O principal obstáculo está na arquitetura funcional da medida: ou seja, como ela se daria na prática. “Algo assim só poderia funcionar se você tivesse todos os principais produtores e, mais importante, consumidores trabalhando junto”, destacou Neil Atkinson, analista independente de petróleo, à CNBC. “A realidade é que os maiores consumidores de petróleo russo são a China e a Índia”. Desde o começo da guerra, com a imposição de sanções internacionais à Rússia, Moscou tem apostado nas vendas para chineses e indianos para compensar as perdas. Para tanto, os produtores russos têm oferecido condições mais benéficas para esses mercados, como combustível mais barato que o preço internacional e pagamento em moeda nacional ao invés de dólar ou euro.

Uma vítima colateral da movimentação de Ocidente e Rússia no tabuleiro energético global é o Irã. O país, que sofre com sanções internacionais por conta de seu programa nuclear, já tinha dificuldades antes da guerra para vender seu petróleo. Agora, com o combustível russo sendo vendido para seus consumidores na China e na Índia a preços mais baratos, os iranianos estão sendo forçados a baratear ainda mais seu produto para recuperar o terreno. A Bloomberg destacou essa situação.

 

ClimaInfo, 5 de julho de 2022.

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