Transporte marítimo: uma indústria que gera mais de um bilhão de toneladas de emissões de carbono anualmente

transporte marítimo
Somos El Cambio
As emissões da indústria naval representam quase 3% do total global.

Ao falar sobre indústrias que geram grandes quantidades de emissões de carbono, costuma-se pensar na aviação. No entanto, pouco se fala sobre o transporte marítimo, que emite mais de um bilhão de toneladas de carbono por ano, quase 3% do total mundial, segundo dados do Quarto Estudo da Organização Marítima Internacional (IMO) sobre gases de efeito estufa do transporte marítimo .

Para atingir as metas do Acordo de Paris e prevenir novas mudanças climáticas, é crucial que setores como esse reduzam suas emissões de carbono o quanto antes. Para isso, os navios precisam parar de usar óleo combustível, um dos combustíveis fósseis mais poluentes. Se isso não acontecer, a Organização Marítima Internacional (IMO) – agência da ONU que regula o transporte marítimo – prevê que a indústria naval responderá por até 17% das emissões globais de dióxido de carbono até 2050.

Um dado que ilustra bem a situação: se o transporte marítimo internacional como um todo fosse um país, seria o sétimo maior emissor de gases de efeito estufa (GEE) do mundo, depois da China (10,06 Gt), dos Estados Unidos (5 , 41 Gt), Índia (2,65), Brasil (2,1 Gt), Federação Russa (1,71) e Japão (1,16), dados referentes a 2018. Estes gases contribuem para as mudanças climáticas e seus impactos, cada vez mais fortes na América Latina.

Por que a descarbonização do transporte marítimo é tão lenta

Para propor a descarbonização do transporte marítimo, serão necessários grandes investimentos em tecnologias e infraestrutura. A Organização Marítima Internacional estabeleceu uma série de metas para a indústria: redução de gases de efeito estufa em 50% abaixo dos níveis de 2008 até 2050 e redução da intensidade de carbono das emissões em 40% até 2030 e em 70% até 2050 em relação aos níveis de 2008.

No entanto, uma das principais barreiras para que isso aconteça é a falta de incentivos: o óleo combustível é barato e isento de impostos. Se as empresas de navegação pagassem cerca de US$ 200 por tonelada de carbono emitida por seus navios, isso poderia reduzir a diferença de preço entre os combustíveis fósseis e os combustíveis verdes e investir esse dinheiro na transição para tecnologias de emissão zero.

Existem também muitas opções operacionais e tecnológicas que podem ser aplicadas para reduzir as emissões de GEE dos navios. Desde o aumento da eficiência dos motores, das hélices e do próprio design das embarcações, até a redução da velocidade de navegação, muito importante para reduzir o consumo de energia e as emissões.

_______________

Fonte: Somos El Cambio, tradução ClimaInfo

 

ClimaInfo, 2 de dezembro de 2022.

Clique aqui para receber em seu e-mail a Newsletter diária completa do ClimaInfo.