
As chuvas torrenciais que atingiram o centro do Texas na madrugada de 6ª feira (4/7) resultaram em uma das piores catástrofes naturais da história recente do estado. Segundo o último balanço das autoridades, o número de vítimas já passa de 100, com o condado de Kerr concentrando a maior parte das mortes – pelo menos 75 ocorreram na região.
Entre as vítimas estão 27 meninas e monitores do Camp Mystic, tradicional acampamento de verão feminino localizado na área mais afetada pelas inundações. As equipes de resgate seguem em operação contínua em busca de desaparecidos, enquanto a população se prepara para mais tempestades previstas para as próximas 48 horas.
O repentino transbordamento do rio Guadalupe surpreendeu moradores – em menos de uma hora, o nível das águas subiu mais de oito metros, arrastando casas, veículos e destruindo estradas. A rapidez da enchente levantou questionamentos sobre a eficácia do sistema de alertas prévios na região – o que os especialistas explicam é que, devido ao aumento das temperaturas do planeta, os oceanos estão emitindo mais umidade, fazendo com que as chuvas tenham mais volume.
Dalton Rice, administrador municipal de Kerrville, maior cidade do condado de Kerr, evitou especular sobre as ações durante a emergência. Segundo o Guardian, Rice justificou a falta de evacuação prévia pelo timing “inoportuno” da chuva, que atingiu exatamente a área de convergência dos dois braços do rio. O condado não possui sirenes de alerta meteorológica.
Já Robert Henson, meteorologista e escritor da Yale Climate Connections, explicou ao g1 que outras condições agravaram as enchentes catastróficas no Texas. Segundo ele, as chuvas atingiram áreas montanhosas, onde a água escorre rapidamente por colinas em direção a bacias hidrográficas estreitas, que têm menor capacidade de absorção.
O especialista destacou que a região já enfrentava uma seca severa antes das tempestades. O solo ressecado e compactado perdeu sua capacidade de absorver água, aumentando significativamente o volume de escoamento superficial. Essa combinação de fatores levou às inundações repentinas.
Em resposta à crise, o presidente – e negacionista climático – Donald Trump emitiu no domingo (6) uma declaração de desastre para o condado de Kerr, liberando recursos federais para auxílio emergencial.
Ao mesmo tempo, o NY Times abordou as dificuldades de engenheiros e urbanistas que dependem dos dados da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA) para projetar sistemas de drenagem e regulamentar áreas de risco. Os cortes orçamentários promovidos por Trump reduziram equipes, demitiram especialistas do Relatório Nacional do Clima e ameaçam eliminar o escritório de Pesquisa Oceânica e Atmosférica, comprometendo a capacidade de prever e prevenir desastres ambientais.
BBC, Guardian, Bloomberg, CNN Brasil, Agência Brasil. Metrópoles, entre outros, noticiaram as inundações no Texas.
Em tempo: No UOL, Jamil Chade expôs a “alfinetada” do governo brasileiro ao negacionismo climático da Casa Branca em sua nota de condolências sobre as inundações no Texas. “O governo do Brasil reafirma que as alterações climáticas intensificam eventos extremos e aumentam a frequência de desastres semelhantes, o que torna ainda mais urgente a necessidade de medidas conjuntas por parte da comunidade internacional”, citou o texto.



