Governo contrata termelétricas a óleo combustível e diesel em leilão

Dos cerca de 500 megawatts contratados na 2ª etapa do leilão de capacidade, mais de 80% virão de usinas a combustíveis fósseis.
22 de março de 2026
termelétricas 3
Divulgação

A 2ª etapa do leilão de reserva de capacidade (LRCAP) de 2026, promovido pelo Ministério de Minas e Energia (MME), sujou mais um pouco a matriz elétrica brasileira. Na 6ª feira (20/3), foram contratados 501 megawatts (MW) de potência de termelétricas. Desse total, mais de 80% virão de usinas movidas a combustíveis fósseis: 383 MW a óleo diesel e 20 MW a óleo combustível. Os 98 MW restantes são de térmicas a biodiesel.

Para o início do suprimento em 1º de agosto de 2026, foram contratados 228 MW, provenientes de uma usina a óleo combustível e de duas a óleo diesel. A receita fixa associada é de R$ 111,6 milhões por ano. Os projetos vencedores pertencem a CEP, Petrobras e UTE Xavantes, localizados em Pernambuco, no Rio Grande do Sul e em Goiás, respectivamente. Os contratos têm duração de três anos, informa o Canal Solar.

Para o início do suprimento em 1º de agosto de 2027, apenas a UTE Termoceará, da Petrobras, foi contratada. A usina, movida a diesel, ofertará 175 MW de potência, com receita fixa anual de R$ 76,98 milhões. O contrato também terá duração de três anos.

Para o início do suprimento em 1º de agosto de 2030, foram contratadas duas usinas de biodiesel: Petrolina Bio e UTE Bio Xavantes, localizadas no Pernambuco e em Goiás, respectivamente. Juntas, as unidades somam 98 MW de potência, com receita fixa anual de R$ 41,2 milhões. Os contratos terão vigência de dez anos.

Na 4ª feira (18/3), a primeira etapa do LRCAP já havia emporcalhado a matriz elétrica nacional com térmicas a gás fóssil e a carvão. Dos 19 gigawatts (GW) de disponibilidade de potência contratados, cerca de 16,7 GW são de usinas a gás e a carvão, e 2,3 GW, da ampliação de hidrelétricas. Os vencedores terão direito a uma receita fixa anual de R$ 39 bilhões, pela disponibilidade de potência ao sistema – custo que baterá nas nossas contas de luz e que pode aumentar se essas usinas forem acionadas para produzir eletricidade.

A Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) e a Abrace, entidade que reúne grupos empresariais responsáveis por quase 40% do consumo industrial de energia elétrica no país, alertaram que o volume contratado no leilão foi superior ao necessário e que houve baixíssima competição. Além disso, estimaram um impacto de cerca de 10% na tarifa média de eletricidade.

Vale lembrar que boa parte das usinas a gás que operam no país depende da importação desse combustível fóssil na forma liquefeita (GNL). A guerra no Oriente Médio fez os preços do GNL dispararem, já que o maior produtor mundial é o Catar, cuja estrutura produtiva foi afetada em quase 20% por bombardeios.

Com a aposta em termelétricas a combustíveis fósseis, o Brasil fica vulnerável a crises internacionais no mercado de petróleo e gás. Enquanto isso, a contratação de sistemas de armazenamento de energia segue no papel, enquanto usinas eólicas e solares têm sua geração elétrica limitada.

Continue lendo

Assine Nossa Newsletter

Fique por dentro dos muitos assuntos relacionados às mudanças climáticas

Em foco

Aprenda mais sobre

Justiça climática

Nesta sessão, você saberá mais sobre racismo ambiental, justiça climática e as correlações entre gênero e clima. Compreenderá também como esses temas são transversais a tudo o que é relacionado às mudanças climáticas.
2 Aulas — 1h Total
Iniciar