
A COP15 da Convenção da ONU sobre Espécies Migratórias (CMS) terminou neste domingo (29/3) com resultados inéditos em Campo Grande (MS). O evento, que reuniu 2 mil participantes de 133 países, aprovou a proteção internacional de 40 novas espécies migratórias e avançou em 10% na redução do déficit global de proteção.
O avanço contribui para a meta de proteger 30% das áreas terrestres e marinhas do planeta até 2030, um dos objetivos centrais da Estrutura Global de Biodiversidade de Kunming-Montreal, explica a Crítica.
As negociações conduzidas ao longo da semana abordaram diferentes frentes temáticas, desde a proteção de aves e espécies terrestres e aquáticas até questões institucionais e transversais. Foram aprovadas 16 ações concertadas, iniciativas entre países para garantir a proteção das espécies ao longo de toda a rota migratória, informa a Mídia Mix.
Segundo o presidente da COP15 e secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), João Paulo Capobianco, a proposta busca evitar lacunas na conservação.
A Conferência também aprovou 39 resoluções voltadas à preservação de habitats, à saúde das espécies e à mitigação de impactos causados por infraestruturas, como redes de energia, que interferem nas rotas migratórias.
A Agência Brasil destaca o Plano de Ação para Grandes Bagres Migratórios Amazônicos e a inclusão da ariranha na Convenção de Espécies Migratórias de Animais Silvestres (CMS) aprovados pela plenária. A iniciativa é voltada para preservar os habitats de bagres como a dourada e a piramutaba e garantir a conectividade dos rios amazônicos. Liderada pelo Brasil, participam também do plano Bolívia, Colômbia, Equador, Peru e Venezuela. Além da proteção à biodiversidade, a medida também fortalece a segurança alimentar das comunidades humanas.
O WWF-Brasil elenca outros avanços na COP15: uma nova e robusta resolução sobre captura acidental, com a inclusão de diversas espécies nos Apêndices, como a hiena-listrada, o tubarão-raposa e a coruja-das-neves; a adoção de uma nova resolução sobre Áreas Importantes para Tartarugas Marinhas, e uma nova iniciativa para enfrentar a captura ilegal e insustentável de espécies listadas na CMS.
“Entretanto, com apenas quatro anos restantes para cumprir a missão global de deter e reverter a perda de biodiversidade até 2030, não há espaço para complacência. O progresso rumo às metas globais de Natureza será avaliado ainda este ano, e os indícios atuais sugerem que os países não estão no caminho certo”, afirmou Colmán Ó Críodáin, chefe de Políticas de Vida Selvagem do WWF.
Na plenária de encerramento, foi anunciado que a Alemanha receberá a 16ª Conferência das Partes da CMS em 2029.
g1, Carta Capital, Folha de Pernambuco e Campo Grande News também falaram sobre os resultados da COP15 da CMS.



