
Em um memorando de cooperação assinado neste mês, Japão e Estados Unidos concordaram em compartilhar pesquisas e conhecimentos em mineração em águas profundas. Os países criarão um grupo de trabalho para compartilhar informações sobre ciência de águas profundas e projetos de mineração. Isso inclui um esforço recente do Japão para começar a atividade em suas águas nacionais.
O interesse japonês em extrair minério do fundo do oceano é uma tentativa de concorrer com a dominância da China em terras raras, explica a Folha. Contudo, o memorando não especifica se o país ajudaria os EUA em águas nacionais ou internacionais. Afinal, o Japão é signatário do Tratado do Alto-Mar.
Se avançar junto com os estadunidenses, o Japão poderá ser acusado de violar o acordo. Ao todo, são 81 nações vinculadas ao Tratado do Alto-Mar da ONU. Mas há um entrave de mais de uma década às possíveis regras para mineração de metais e minerais em águas internacionais, conta o New York Times. Enquanto 40 países pediram uma moratória ou proibição da prática, o ritmo da indústria fica definido por aqueles que agem unilateralmente, como os EUA.
Recentemente, os Estados Unidos duplicaram para 28 milhões de hectares a área avaliada para mineração em alto-mar nas Ilhas Marianas do Norte. Trata-se de um estado livremente associado aos Estados Unidos, situado na Micronésia, relata a ABC.
A mineração no fundo do mar pode danificar ecossistemas marinhos pouco conhecidos. Na zona Clarion-Clipperton, entre o Havaí e o México, no Pacífico Norte, cuja profundidade chega a 4 mil metros, pesquisadores descobriram 24 novas espécies de anfípodes (minúsculos crustáceos semelhantes a camarões). Segundo o ZME Science, entre elas há uma criatura tão incomum que a equipe teve que colocar um novo galho na árvore da vida apenas para categorizá-la.
Algumas partes da Zona Clarion-Clipperton são ricas em nódulos de manganês, com rochas do tamanho de batatas. O metal é necessário para baterias, mas essas rochas também são a base de um ecossistema. Mais de 5.500 espécies já foram registradas na região, sendo 90% delas novas e sem nomes formais.
Por isso, especialistas temem que a parceria entre Japão e EUA seja um sinal de uma mudança geopolítica iminente se outros países seguirem o exemplo.



